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Ibovespa despenca após vitória de Lula e investidores avaliam ações

É hora de comprar ações? Veja o que avaliar após o tombo do Ibovespa

A bolsa de valores brasileira registrou uma desvalorização drástica de 13,88%, fechando aos 176.608 pontos após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se do pior resultado diário desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia global de Covid-19.

O impacto financeiro da derrocada Com esse revés, o mercado acionário nacional viu evaporar R$ 734 bilhões em valor de mercado, montante equivalente a quase toda a avaliação da Petrobras. A reação dos investidores evidenciou a surpresa com o desfecho eleitoral, que alterou as expectativas de transição para uma gestão de centro-direita e reacendeu temores sobre o controle das contas públicas e da dívida nacional.

Especialistas alertam sobre preços baixos Especialistas apontam que a desvalorização generalizada não significa, por si só, que todos os papéis estejam atrativos ou seguros para aquisição imediata. O cenário exige cautela redobrada, pois os riscos fiscais e inflacionários continuam pressionando as perspectivas corporativas.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ressalta que a queda no preço das ações não significa, necessariamente, que uma empresa perdeu capacidade de gerar resultados. Para avaliar se um papel está barato, é preciso comparar seu preço de mercado com os resultados que a companhia pode alcançar.

“Uma queda de 10% tampouco significa que estas empresas perderam, de um dia para o outro, 10% de sua capacidade de gerar resultados. Significa que os investidores passaram a aceitar preços menores diante dos riscos percebidos.”

A analista explica que o aumento da incerteza econômica faz com que o mercado exija prêmios de risco mais elevados, tornando o filtro de seleção muito mais rigoroso.

Setores defensivos e exportadoras no radar Diante da volatilidade e da perspectiva de juros prolongados em patamares elevados, instituições financeiras como o BTG Pactual recomendam estratégias focadas em empresas com menor endividamento ou receitas atreladas a moedas estrangeiras.

“As perspectivas de um real mais fraco podem favorecer as ações de exportadoras, como as produtoras de commodities metálicas, petróleo e gás, commodities agrícolas e exportadoras industriais”, dizem os analistas.

Além das companhias voltadas ao mercado externo, organizações com balanços sólidos ganham destaque pela capacidade de resistir ao aperto monetário.

“Empresas com balanços fortes (baixa alavancagem ou posição de caixa líquido) e que atuam em setores defensivos também devem se sair relativamente bem. Seguradoras como Caixa Seguridade e Porto Seguro e a fabricante de bebidas Ambev devem apresentar desempenho superior.”

Desafios fiscais e cenário político A sustentabilidade da recuperação da bolsa também depende diretamente da condução da política fiscal e da capacidade de articulação do governo no Congresso Nacional, onde a oposição possui bancadas expressivas.

Alberto Ramos, chefe da equipe de Pesquisa Econômica para a América Latina da divisão de Pesquisa de Investimentos Globais do Goldman Sachs, pontua que a previsibilidade das contas públicas será determinante para o humor dos mercados nos próximos anos.

“Dada a composição mais à direita do Congresso, o presidente Lula provavelmente enfrentará desafios ainda maiores do que no mandato atual por conta do bloco de oposição conservadora maior e pelo fato de seu capital político ser limitado, visto que não poderá buscar a reeleição em 2030”, argumenta Ramos.

Portanto, antes de qualquer decisão de investimento, o momento exige análise detalhada dos fundamentos de cada companhia e acompanhamento atento dos próximos passos da economia brasileira.

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