Israel realiza nesta terça-feira (27) suas primeiras eleições gerais desde o início da guerra na Faixa de Gaza. O pleito funciona como um julgamento popular sobre a trajetória do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta forte desgaste e busca renovar seu mandato para continuar com seu projeto bélico.
Disputa acirrada no Parlamento
Os eleitores israelenses votam para renovar as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento do país. Para indicar o premiê, um partido ou coligação precisa atingir a marca de 61 assentos, cenário que se mostra incerto de acordo com as pesquisas de intenção de voto.
A legenda de Netanyahu aparece nas projeções com um número estimado entre 20 e 30 assentos, ficando em situação de empate técnico com o Yashar, partido liderado pelo seu ex-chefe das Forças Armadas e opositor, Gadi Eisenkot. A fragmentação política atual indica que mesmo alianças tradicionais com siglas da extrema direita podem não alcançar a maioria necessária.
Caso nenhuma das frentes políticas consiga o quórum mínimo, o país pode enfrentar um novo ciclo de instabilidade e repetir o impasse eleitoral vivido anos atrás, que culminou em cinco votações consecutivas até a formação da coalizão de 2022.
A estratégia da segurança nacional
Para tentar convencer os eleitores indecisos, o atual chefe de governo aposta na narrativa da segurança e no conflito contra o Irã, temática que recuperou parte do apoio popular às ações militares, apesar das críticas internas pelo manejo da guerra em Gaza.
A campanha também buscou colar a imagem de Netanyahu à de Donald Trump por meio de outdoors espalhados por Tel Aviv, na tentativa de capitalizar essa proximidade política, embora tenham surgido divergências recentes entre os dois aliados sobre estratégias de ataque.
Tensão política na reta final
O cenário eleitoral ganhou contornos ainda mais críticos após relatos da imprensa local sobre pressões do premiê em cima das Forças Armadas para intensificar ações contra Teerã nas vésperas da votação, atitude veementemente negada pelo gabinete oficial.
A oposição reagiu rapidamente às notícias. Gadi Eisenkot criticou duramente a postura do premiê e publicou um alerta direto em sua conta na rede social X: “Netanyahu, estou de olho em você”.
Além disso, o opositor cobrou responsabilidade do premiê pelas falhas de segurança relacionadas ao ataque de 7 de outubro, enquanto a base de apoio argumenta que o líder demonstrou resiliência diante da maior crise da história recente do país.






