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Inadimplência de empresas bate recorde no Brasil e atinge 9,3 milhões de CNPJs

Inadimplência bate recorde e chega a 9,3 milhões de empresas

O Brasil registrou um total de 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto de 2026, marcando uma elevação de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme apontam os dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.

Volume de dívidas e impacto financeiro

No oitavo mês do ano, o levantamento contabilizou 68,2 milhões de dívidas ativas, acumulando um montante de R$ 244,4 bilhões. Cada CNPJ negativado acumulava, em média, 7,4 contas em atraso, representando um débito médio de R$ 26.355,13 por empresa e R$ 3.583,96 por cada compromisso financeiro não honrado.

Situação crítica dos pequenos negócios

As micro e pequenas empresas foram as mais afetadas, somando 8,8 milhões de CNPJs com restrições e um total de 61,4 milhões de débitos, que totalizaram R$ 211 bilhões.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, esses negócios têm menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de crescimento mais lento.

A economista afirma que a recuperação financeira dessas empresas exige uma reorganização mais ampla do caixa, além de planejamento e gestão financeira.

Pacote de socorro e crédito caro

Como resposta ao endividamento recorde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta 4ª feira (21.out.2026), a lei que cria o Prospera MEI, iniciativa que prevê perdão de dívidas, renegociação bancária, transferência de até R$ 5.000 aos microempreendedores e a ampliação do teto de faturamento anual, com custo estimado de R$ 16,7 bilhões aos cofres públicos.

Apesar de o Banco Central ter reduzido a taxa Selic de 15% para 13,75% ao ano ao longo de 2026, Camila Abdelmalack avalia que a diminuição ainda foi insuficiente para aliviar o orçamento dos empreendedores, mantendo o crédito caro e o caixa pressionado.

Segundo a economista, o movimento indica que as empresas têm recorrido ao crédito para sustentar a liquidez e manter as operações, e não necessariamente para reduzir o endividamento ou expandir os negócios. A demanda corporativa por financiamentos avançou 11,2% em 12 meses, enquanto as linhas de capital de giro de curto prazo dispararam 113,9%.

Setores e estados mais afetados

O setor de serviços liderou a lista de inadimplência em agosto, respondendo por 56% dos CNPJs negativados e 31,7% das pendências. O comércio apareceu logo atrás com 32%, seguido por indústria (8%) e setor primário (0,9%). No recorte geográfico, São Paulo liderou o ranking com 3,17 milhões de empresas em atraso, seguido por Minas Gerais (927,4 mil) e Rio de Janeiro (879,9 mil).

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