O deputado federal André Janones (Rede-MG) utilizou uma rede social na terça-feira (21.out.2026) para lançar a postagem “quem é Mariana?” e mobilizar apoiadores. O parlamentar pediu que o canal Exército do Lula, que conta com mais de 7 milhões de integrantes, impulsionasse buscas negativas sobre o passado do senador Flávio Bolsonaro (PL) por meio da hashtag #QuemEMarianaFlavio. Além disso, o congressista já havia orientado o grupo a pesquisar as expressões “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”.
Origem do nome misterioso
Embora tenha iniciado a mobilização digital, o parlamentar mineiro não revelou a identidade da pessoa citada nem esclareceu o propósito da postagem. A associação entre o nome Mariana e o senador Flávio Bolsonaro remonta a reportagens publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 2019, e pelo portal UOL, em 2021, a respeito de antigas apurações sobre o esquema conhecido como rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
As acusações contra o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro acabaram arquivadas em maio de 2022 pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sem que houvesse um julgamento de mérito sobre os fatos investigados pelo Ministério Público.
O esquema na Alerj e as apurações
Em 18 de dezembro de 2019, uma reportagem do Estadão revelou detalhes sobre Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota, que atuou como ex-chefe de gabinete de Flávio na Alerj. Conforme os dados do Ministério Público do Rio de Janeiro divulgados na época, ela teria integrado e liderado um esquema de devolução de salários antes de Fabrício Queiroz assumir a função em 2008.
Já em março de 2021, o UOL lançou a série de reportagens intitulada Anatomia da rachadinha, com base na análise de mais de 600 mil operações bancárias de 100 investigados. O material apontou indícios de práticas similares nos gabinetes de Jair Bolsonaro, quando era deputado federal, e de Carlos Bolsonaro, então vereador carioca. A denúncia formal do Ministério Público apontava Flávio como o líder de uma organização criminosa que desviou R$ 6 milhões dos cofres públicos por meio de contratações de funcionários fantasmas ou laranjas.
Pagamentos de aluguel para Léo Índio
Os registros apontam ainda que Mariana Mota realizou transferências para quitar o aluguel de uma quitinete no centro da capital fluminense onde morava Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio e primo do senador. Os repasses ocorreram em 2007, período em que Léo constava oficialmente como assessor parlamentar no gabinete de Flávio na Alerj.
Foram identificados cinco pagamentos em benefício do parente do político ao longo daquele ano. Em fevereiro de 2007, Mariana efetuou uma transferência de R$ 503 com a identificação “al.leo” para Norival Dantas. Em março, repetiu o processo com o valor de R$ 460 sob a anotação “condomin”. Outros repasses ocorreram em maio (R$ 503 com a nota “leo”), em julho (R$ 500 identificados como “aluguel”) e em agosto (mais R$ 500 com a descrição “leo”).
Manifestações da defesa
Após o encerramento do caso pela Justiça fluminense, a advogada que representava Flávio Bolsonaro na época, Luciana Pires, enviou uma nota ao portal Poder360 afirmando que o processo “está enterrado”.
“O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro entendeu por rejeitar a denúncia envolvendo o Senador Flávio Bolsonaro. O STJ já havia anulado todas as provas. A defesa entende que o caso está enterrado e caso haja qualquer desdobramento serão tomadas as medidas judiciais cabíveis”, declarou.
Em relação a Mariana Mota, o advogado Magnum Cardoso afirmou ao UOL durante as investigações que “a defesa não irá se manifestar tendo em vista que o procedimento tramita sob sigilo”. O defensor acrescentou que repudiava “veementemente o vazamento dessas informações, algo que vem se tornando rotina em se tratando desse procedimento”.






