Voos de jato executivo utilizados pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante passagens pela Europa em 2025 foram quitados por uma corporação associada à casa de apostas Rede Loto.
Origem dos documentos e detalhes dos trechos
Os papéis que revelam as transações foram localizados pela Polícia Federal no decorrer de apurações sobre desvios e fraudes em verbas destinadas a beneficiários do INSS. Os deslocamentos financiados englobaram trajetos entre Lisboa e Cascais, rotas entre Portugal e França, além de passagens por Nice e Paris.
Conexão com a Cathedral Holdings
A aquisição das passagens aéreas foi efetuada pela Cathedral Holdings S.A., firma com sede na Ilha da Madeira, em território português. Documentos corporativos apontam que o advogado Willer Tomaz, parentes dele e o empresário Jorge Barbosa Dias compõem o quadro acionário da organização vinculada à Rede Loto.
Em nota enviada à imprensa, os representantes legais de Willer Tomaz alegaram que os trajetos consistiram em viagens recreativas de caráter particular entre conhecidos e parentes, arcadas integralmente pelo próprio advogado, sem qualquer tipo de favorecimento mútuo.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro admitiu o vínculo de amizade com o jurista e rejeitou a existência de ilicitudes. Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos, afirmou.
Operação policial e antecedentes
As apurações avançaram sobre Willer Tomaz em 4 de agosto de 2026, data em que a Polícia Federal executou mandados de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, focada em cobranças e descontos ilegais em pensões e aposentadorias.
O histórico de viagens do parlamentar já havia gerado repercussão em setembro, após uma publicação sobre um trajeto realizado em janeiro de 2025 partindo de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com destino a Brasília. Na ocasião, o advogado argumentou possuir cota na aeronave e ter quitado a rota utilizando suas horas disponíveis de voo, refutando a participação de terceiros no custeio.






