O diretório nacional do MDB enfrenta um racha evidente para o segundo turno da eleição presidencial, dividindo suas bases entre os projetos de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Dos 27 diretórios estaduais da sigla, 17 optaram por caminhar com o candidato do PL, enquanto dez fecharão com o atual presidente. Apenas Sergipe adotou a liberação total para os filiados.
Alinhamento com o PL ganha maioria A oficialização da maior parte dos apoios ocorreu em São Paulo, durante um encontro que reuniu o presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, e o próprio Flávio Bolsonaro.
A ala majoritária que decidiu marchar ao lado do candidato oposicionista abrange 16 estados mais o Distrito Federal: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Amapá, Acre, Tocantins, Roraima, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. O evento também contou com as presenças do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, e do vice-governador Felício Ramuth, ambos emedebistas, no comitê do governador Tarcísio de Freitas.
Durante o ato político, Baleia Rossi justificou a escolha apontando cinco eixos convergentes com o plano de governo do senador: responsabilidade fiscal, valorização do agronegócio, autonomia para estados e municípios, rigor na segurança pública e defesa democrática. Ao discursar diretamente para o candidato, o dirigente declarou:
“O eleitor foi às urnas no primeiro turno e escolheu a mudança. E depositou em você a esperança de ter uma vida melhor. Por isso, ao lado dos nossos deputados federais e estaduais, da nossa militância, estamos aqui pra desejar um arranque final. Vamos ter uma grande vitória, que é a vitória da mudança no nosso país.”
Bases governistas no Norte e Nordeste Em contrapartida, o bloco favorável à reeleição de Lula e do vice Geraldo Alckmin formalizou seu posicionamento no período da tarde.
O grupo que apoia o petista concentra-se nos estados das regiões Norte e Nordeste, onde a sigla abriga clãs políticos tradicionais como os Calheiros, em Alagoas, e os Barbalho, no Pará. No total, dez diretórios compõem essa base: Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. No cenário legislativo, o partido elegeu sete senadores, divididos entre coligações petistas e oposições regionais.
Contexto da eleição nacional A corrida ao Palácio do Planalto foi definida após um primeiro turno acirrado realizado em 4 de outubro, que registrou a menor diferença percentual da história republicana entre os dois primeiros colocados: Flávio obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A disputa pelo voto dos demais candidatos eliminados e o reposicionamento das legendas agora moldam a reta final da campanha, que tem o dia 25 de outubro como data marcada para a votação definitiva.






