O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nesta terça-feira (13.out.2026) uma produção audiovisual que conta com a narração do ator Wagner Moura para apoiar o término da escala de trabalho 6×1. O material direciona críticas ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), acusando-o de atuar para barrar a aprovação da medida no Congresso Nacional.
Críticas às jornadas flexíveis
A peça publicitária também coloca em dúvida uma Proposta de Emenda à Constituição protocolada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e chancelada por Flávio, que abre espaço para a adoção de jornadas flexíveis atreladas ao pagamento proporcional pelas horas exercidas.
“Antes dos direitos trabalhistas, o pagamento era por hora. O resultado era 12, 15, até 16 horas de trabalho por dia pelo valor que o patrão quisesse. É isso que você quer que volte? E tem outro problema: se o movimento está fraco, o patrão te manda para casa e você fica sem receber. Como você vai planejar o seu mês? É justo você trabalhar para outra pessoa e só receber se o negócio dela for bem?”, afirma o vídeo.
Detalhes e impactos da PEC
Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro declarou na mesma terça-feira que dará seu voto favorável ao fim da escala 6×1, embora tenha defendido maior autonomia para que o funcionalismo e o empresariado definam seus horários. Ele também pontuou que o poder público precisa ressarcir as empresas pelos impactos financeiros decorrentes da diminuição da carga horária.
O texto principal da PEC propõe encolher o limite máximo semanal de 44 para 40 horas, assegurando duas folgas remuneradas semanais sem alteração nos vencimentos. A transição ocorrerá de forma escalonada: o teto passa a ser de 42 horas dois meses após a promulgação e atinge 40 horas decorridos 14 meses.
Estratégia legislativa no Senado
Nos bastidores do Congresso, a base governista assegurou as adesões exigidas para protocolar um pedido de calendário especial com o objetivo de dar celeridade à matéria. A iniciativa, encabeçada por um grupo de senadoras, viabiliza votações em dois turnos já nesta quarta-feira (14.out), sendo necessários pelo menos 49 votos favoráveis em cada etapa.
A proposta já havia passado pelo crivo da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, mas permaneceu estagnada no plenário por cerca de 90 dias. O líder governista Randolfe Rodrigues (PT-AP) responsabilizou a articulação liderada por Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho pela falta de quórum que travou a pauta. As tratativas também ganharam fôlego após a retomada do diálogo entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).






