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Temas atuais e redação sobre o SUS marcam primeiro dia do Enem

Terras raras, Lei Rouanet, Guerra no Irã e SUS na redação: o que caiu no 1º dia do Enem

O primeiro dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado neste domingo (8), exigiu dos candidatos conhecimentos sobre acontecimentos recentes do noticiário internacional e nacional, além de pautas históricas e sociais consolidadas.

Redação e estrutura da prova

Enquanto o Ministério da Educação (MEC) ainda não liberou os cadernos de questões, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmou que a proposta de redação exigiu a reflexão sobre a “Valorização do SUS como direito universal”. A etapa inicial da avaliação contou com exames de Linguagens e Ciências Humanas, preparando o terreno para o próximo domingo (15), quando os estudantes enfrentarão os testes de Matemática e Ciências da Natureza. O processo seletivo deste ano atraiu mais de 5 milhões de inscrições em todo o território nacional.

Geopolítica e economia global

Docentes de instituições de ensino e cursos preparatórios destacaram a forte presença de debates internacionais no caderno de humanas.

“As atualidades também marcaram presença, principalmente na abordagem da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã e da importância estratégica do Estreito de Ormuz”, diz Stephanie Oliveira, professora de Geografia do Elite Rede de Ensino.

A docente também pontuou outro ponto nevrálgico do exame: “Outro destaque foi a discussão sobre a exploração e a gestão das terras raras, colocando a China, o Brasil e outros países emergentes no centro dos debates sobre os recursos minerais estratégicos e as disputas econômicas e geopolíticas contemporâneas”, continua.

Especialistas apontam que este trecho específico funcionou como um dos grandes filtros da avaliação, analisando a capacidade de barganha internacional do Brasil frente às novas riquezas minerais.

Meio ambiente e debates contemporâneos

A agenda verde apareceu sob múltiplos ângulos, indo desde a crise climática até as próprias contradições do desenvolvimento sustentável.

“Uma das abordagens chamou atenção para o fato de que a própria economia verde, a exemplo da expansão da energia solar, também pode produzir novos impactos ambientais, demonstrando que as alternativas energéticas consideradas sustentáveis não estão isentas de contradições”, descreve Stephanie Oliveira, professora do Elite.

A erosão costeira também ganhou espaço na prova por meio de um caso emblemático nacional. Outra questão abordou o exemplo de Atafona, no litoral do Rio de Janeiro, um dos símbolos do avanço da erosão costeira e da crise climática no Brasil.

História, direitos e tecnologia

As disciplinas de ciências humanas e linguagens transitaram por marcos históricos e legislações recentes.

“O papel das mulheres ao longo da história e o feminismo, além da presença dos povos indígenas, com discussões sobre território e preservação cultural. Também tivemos questões sobre o cristianismo e sua relação com a sociedade e duas sobre a ditadura militar, abordando a queda do regime e a crise econômica do período”, afirma Pedro Zonta, professor de História da Escola SEB Lafaiete AZ.

O exame ainda conectou a literatura e a interpretação de texto a ferramentas e leis atuais.

“O exame passeou com fluidez por eixos fundamentais: a legislação contemporânea, como o trecho do ECA Digital, os impactos tecnológicos, com a charge sobre Inteligência Artificial, as dinâmicas socioeconômicas, como a relação entre dinheiro e o futebol, a temática da desigualdade sofrida por mulheres nas ciências, o uso de expressões capacitistas e o infográfico explicativo sobre a Lei Rouanet”, afirmou Eloise Genaio, professora de Linguagens e Redação do Elite Rede de Ensino.

Apesar da forte sintonia com debates recentes e até mesmo com o cenário político brasileiro, especialistas lembram que o exame possui um rigoroso processo de elaboração prévia. “Vários temas que apareceram no debate eleitoral”, comenta Raphael Kapa, orientador pedagógico do Ensino Médio do Colégio Andrews, do Rio de Janeiro. No entanto, os organizadores ressaltam que a prova é estruturada com muitos meses de antecedência, o que impede a inserção de pautas surgidas nas vésperas da aplicação.

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