O político Pedro Alliana, filiado ao Partido Colorado, assumiu nesta sexta-feira (6) o cargo de chefe de Estado do Paraguai. A investidura ocorreu em decorrência do impedimento legal de Santiago Peña, cujo afastamento foi aprovado pelo Congresso em meio a uma grave crise econômica provocada pela falência do Ueno Bank, considerado o principal banco digital da nação sul-americana. Com 52 anos de idade, Alliana passa a ser o 52º presidente na trajetória do país e completará o período de governo válido até 2028, restando exatamente um ano e nove meses de gestão.
Crise política e sucessão presidencial A derrocada de Peña aconteceu sob forte pressão exercida sobre a administração federal. Embora o próprio Alliana também tenha sido alvo de uma moção de impedimento no Legislativo, a Câmara dos Deputados barrou a abertura do processo contra ele na véspera da posse. Simultaneamente, o Senado aprovou a destituição de Peña por unanimidade, reunindo 44 votos favoráveis entre os 45 parlamentares presentes.
A manobra política ocorreu um dia após os deputados aprovarem o rito de destituição, ignorando uma tentativa de renúncia apresentada por Peña. Os legisladores preferiram seguir com o impeachment para garantir que o ex-presidente perdesse o foro privilegiado vitalício. Para ocupar a vaga de vice-presidente deixada por Alliana, Antonio Barrios tomou posse no mesmo dia, tendo seu nome aprovado por unanimidade após indicação do presidente da Câmara, Raúl Latorre.
Prioridades econômicas e sociais Durante seu discurso de posse, o novo chefe do Executivo paraguaio revelou que enviará ao parlamento uma proposta voltada à racionalização dos gastos estatais, focando na eliminação de despesas supérfluas para realocar verbas a camadas carentes.
“Precisamos urgentemente poupar recursos para destiná-los aos setores que mais precisam para sua promoção humana e social”, afirmou.
Alliana destacou que a saúde pública e a assistência a desempregados, enfermos e idosos encabeçam sua lista de urgências.
“O Paraguai que hoje recebemos tem urgências que nos obrigam a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho propor é concreto. Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil por causa do descalabro financeiro serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos”, declarou.
Perfil e trajetória política Nascido em Pilar, no departamento de Ñeembucú, o novo mandatário é casado, pai de quatro filhos e construiu carreira na política atrelada ao Partido Colorado, mesma legenda de Peña e do ex-presidente Horacio Cartes. Antes da vida pública, atuou no setor comercial e cursou Relações Internacionais na Universidade San Sebastián, além de ter sido jogador de basquete na juventude, chegando a defender a seleção paraguaia.
Sua experiência administrativa inclui o mandato como governador de Ñeembucú entre 2008 e 2012 e dez anos como deputado federal a partir de 2013, período em que liderou a bancada partidária. Em abril, ele havia lançado sua pré-candidatura para o pleito presidencial de 2028, recebendo respaldo das principais lideranças da sigla.






