O Congresso do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña. A crise política começou após o fechamento de um banco e chegou rapidamente chegou ao Congresso, onde a oposição apresentou um pedido para afastar Peña.
A quebra do ueno e a origem da crise
O país vive uma profunda crise política após vir à tona um escândalo envolvendo a quebra do banco ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos. O ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou o processo de liquidação da instituição.
A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano passado.
Cronologia e escalada institucional
Na quarta-feira (4), relatos de falhas nos aplicativos de outras instituições financeiras começaram a circular no país e aumentaram a preocupação dos clientes. A Associação de Bancos do Paraguai informou que as instituições estavam trabalhando para atender ao grande volume de pessoas que tentam transferir contas do ueno, afirmando que o sistema bancário continuava operando normalmente.
A crise bancária chegou ao Congresso na quinta-feira (5), quando deputados da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. A acusação apontou possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, além de acusar o Banco Central de encobrir irregularidades.
Tentativa de renúncia e recusa do congresso
Ainda na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Peña, rejeitando o pedido contra o vice-presidente Pedro Alliana. Horas depois, Peña apresentou uma carta de renúncia em um vídeo publicado nas redes sociais. Na prática, o Congresso ignorou o pedido de renúncia do presidente e o Senado retomou a análise do impeachment.
O Congresso iniciou a análise do pedido de renúncia na tarde de quinta-feira com forte debate. A oposição defendeu a rejeição da renúncia para evitar que Peña assumisse uma vaga de senador vitalício com imunidade, enquanto os governistas sustentavam que a medida encerraria a crise rapidamente. Sem votos suficientes, parlamentares do Partido Colorado deixaram o plenário, derrubando o quórum.
Desfecho e investigações
O Congresso retomou a análise da crise nesta sexta-feira, aprovando a destituição de Peña pelos 44 senadores presentes. Com a decisão, o ex-presidente perde o direito ao cargo de senador vitalício e ao foro privilegiado.
O Ministério Público abriu investigações criminais envolvendo Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central. Com a saída oficial, Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato previsto para terminar em agosto de 2028.






