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Outubro de 2026 bate recorde histórico de calor com 1,75ºC acima da média

Outubro de 2026 é o mês mais quente da história, diz Copernicus

O mês de outubro de 2026 registrou a temperatura global média mais alta da história, ficando 1,75ºC acima dos patamares pré-industriais, de acordo com informações reveladas nesta sexta-feira (6.nov.2026) pelo Observatório Copernicus, entidade da União Europeia voltada ao acompanhamento das alterações climáticas.

Sequência inédita de recordes

Com esse resultado, o planeta acumula o terceiro mês consecutivo com aquecimento superior a 1,5ºC. Como consequência direta, o ano de 2026 caminha para se consolidar como o segundo mais quente já documentado, além de ser o segundo a apresentar uma média anual acima desse patamar crítico.

As estatísticas vieram a público bem antes da inauguração da COP31, sediada na cidade de Antália, na Turquia, intensificando os alertas sobre a gravidade da crise climática global. O evento acontece sob a sombra do risco de overshoot, cenário em que a temperatura do planeta supera de forma passageira a meta de 1,5ºC estipulada pelo Acordo de Paris antes de eventual queda.

Previsões para o fechamento do ano

Utilizando o sistema ERA5, que reúne décadas de registros meteorológicos, as projeções do Copernicus classificam como “virtualmente certo”, com 99% de probabilidade, que a média de 2026 ultrapasse 1,5ºC, com estimativas variando de 1,56ºC a 1,61ºC. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) calcula em 80% a chance de 2026 encerrar como o segundo ano mais quente, havendo ainda 20% de probabilidade de empatar ou superar 2024, detentor do recorde atual.

Além disso, o indicador médio referente ao quadriênio entre 2023 e 2026 também ultrapassará o limite de 1,5ºC. “Outubro manteve o padrão de aquecimento notável. Um El Niño excepcionalmente forte está adicionando calor em um clima já aquecido pela atividade humana”, declarou Samantha Burgess, coordenadora do ECMWF. “É significativo que a média de quatro anos também caminhe para exceder o 1,5ºC, comprovando como esse período de aquecimento se tornou sustentável”, completou.

Impacto nos oceanos e negociações na COP31

Fora das zonas polares, a temperatura superficial dos mares alcançou 20,95ºC em outubro, registrando a maior marca histórica para o mês e batendo o recorde de 2023. Na área do Oceano Pacífico vigiada para o fenômeno El Niño, o desvio positivo chegou a 3,21ºC em relação à média histórica.

O aquecimento do planeta é impulsionado primordialmente pela queima de combustíveis fósseis que liberam gases de efeito estufa. Durante a COP31, cuja presidência é compartilhada entre Turquia e Austrália, discute-se elevar a participação da eletrificação para 35% na matriz energética mundial até 2035, ante os atuais 20%.

Organizações ambientalistas exigem que a meta seja atrelada obrigatoriamente a fontes de energia renováveis. Por sua vez, a ONU calcula que as reduções de emissões precisam alcançar 6% anualmente até 2035 para assegurar que a humanidade consiga reverter o overshoot e resgatar o limite de 1,5ºC até o encerramento deste século.

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