O motorista de caminhão Fábio Eugênio Madeira, de 56 anos, confessou à Polícia Civil ter assassinado a tiros a companheira, a babá Jerlane Ribeiro, de 40 anos, e admitiu que sabia que os disparos também atingiram seu neto de apenas um ano durante o ataque ocorrido na Serra, na Região Metropolitana da Grande Vitória.
Histórico de violência e fuga sem socorro Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, mesmo consciente de que a criança havia sido baleada, o suspeito fugiu do local sem prestar socorro. O crime aconteceu na manhã de quinta-feira (5), no apartamento onde o casal residia, situado no bairro Jardim Carapina. Jerlane foi morta na presença de seu filho de seis anos, enquanto o bebê foi atingido de raspão no braço, hospitalizado e posteriormente liberado.
A delegada Rafaela Aguiar, que lidera o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Mulher, relatou que o investigado apresentou comportamento frio durante o interrogatório e tentou culpar a vítima pelo homicídio.
“Ele que falou: ‘Eu tinha plena ciência de que eu podia alvejar meu próprio neto e ainda assim eu o fiz’. Eu indaguei a ele se ele prestou algum tipo de socorro, se ele teve ciência de que ele tinha alvejado o neto, a criancinha, e ele falou que tinha, mas que não prestou socorro e que foi procurar meios para fugir”, afirmou a delegada.
Relatos colhidos com familiares e uma ex-companheira do suspeito revelaram um padrão de conduta agressiva.
“Ficou bem claro de que ele se tratava de um homem extremamente violentro. Violento com relação às suas companheiras, com relação afetiva, bem como com vizinhos, familiares. E ele era colecionador, então ele tinha arma de fogo. Lá na localidade, ele acabava, por vezes, se utilizando dessa arma para poder ameaçar e amedrontar todos que rodeavam e conviviam com ele”, detalhou Rafaela Aguiar.
Prisão em rodovia e monitoramento inteligente A captura de Fábio ocorreu por volta das 21h da mesma quinta-feira, na Rodovia do Contorno, altura de Cariacica. Ele conduzia sozinho o automóvel utilizado na fuga e portava uma arma de fogo. A localização foi possível graças ao cerco inteligente, tecnologia de monitoramento de placas, operada por equipes de inteligência das forças de segurança.
O tenente Neres, da Polícia Militar, explicou a dinâmica da abordagem realizada por militares do 7º Batalhão.
“Os operadores do Ciodes, através do cerco inteligente, conseguiram monitorar a placa do veículo, que a gente já tinha essa informação de qual seria o veículo que ele teria utilizado. E, através dessa placa, o cerco inteligente fez esse trabalho e passou as informações via rádio para as viaturas”, explicou o oficial.
Sobre o armamento apreendido no carro, o tenente pontuou que a confirmação técnica ainda depende de exames periciais.
“Ele estava sozinho no veículo, a arma de fogo também estava lá. A gente ainda não pode afirmar que essa seria a arma utilizada, mas, conforme ele mesmo falou, teria sido sim essa arma e vai passar agora pelo trabalho da perícia técnica”, disse.
O militar também reforçou a postura do suspeito no momento da detenção: “Demonstrou extrema frieza. Essa é a verdade. Ele não esboçou nenhum tipo de arrependimento. Foi conduzido para a delegacia demonstrando a maior tranquilidade, como se fosse algo natural”.
Relatos de vizinhos e motivação Moradores da região acionaram as autoridades após ouvirem pedidos de socorro. Uma vizinha relatou ter sido despertada pelos gritos do menino de seis anos.
“Ele tentou respirar, falou ‘minha mãe, minha mãe, minha mãe’. Eu perguntei o que tinha acontecido, ele abriu a porta e eu vi ela caída. Entrei em desespero, comecei a chorar junto com ele, e ele disse: ‘Meu padrasto deu um tiro na minha mãe e saiu com o carro'”, contou a testemunha.
De acordo com parentes, Jerlane e Fábio mantinham união de longa data, mas moravam juntos no imóvel do suspeito havia cerca de três meses. Vizinhas apontaram que a vítima desejava o fim do relacionamento, mas o homem recusava a separação. Jerlane deixa três filhos, incluindo um jovem de 18 anos e uma adolescente de 15, além do menino que presenciou a violência. Na Delegacia de Vitória, o autor alegou ter cometido o crime motivado por uma suposta traição.






