O proeminente ativista pró-democracia Joshua Wong recebeu uma sentença de dez anos de reclusão da Justiça de Hong Kong na última quinta-feira, 5 de dezembro. De acordo com o Ministério Público, a condenação ocorreu sob a acusação de conspiração com entidades estrangeiras, após o ativista ter pedido a nações e organismos internacionais a aplicação de sanções e bloqueios econômicos contra a China e a administração local no ano de 2020.
Lei de Segurança Nacional e o histórico do ativista A base legal para a punição foi a Lei de Segurança Nacional, decretada por Pequim em meados de 2020 como resposta direta aos intensos protestos pró-democracia e contrários à hegemonia chinesa no território. Hong Kong ostenta o status de Região Administrativa Especial da China desde a devolução pelo Reino Unido em 1997.
Aos 30 anos, Wong admitiu a culpa perante o tribunal em setembro. Embora a legislação permitisse pena perpétua, a punição imposta ficou abaixo do limite máximo. O ativista já cumpria uma pena de quatro anos e oito meses, aplicada em 2024 por conspiração voltada à subversão do poder estatal, o que empurra sua previsão de soltura para o ano de 2036.
Repercussão internacional e falas de aliados A decisão judicial gerou forte reação de governos ocidentais e de entidades internacionais voltadas à defesa dos direitos humanos, que monitoram de perto a repressão estatal na região autônoma.
O ativista Figo Chan, que atuou como ex-coordenador da Frente Civil de Direitos Humanos, manifestou pesar diante do veredito. “É incrivelmente difícil e emocionalmente pesado”, afirmou. Ele pontuou ainda que, perante o atual panorama político, cabe aos militantes prestarem solidariedade mútua.
Posicionamento oficial de Pequim Por outro lado, o governo chinês endossou a decisão do tribunal por meio de seu Ministério das Relações Exteriores. O porta-voz Guo Jiakun classificou as ações de Wong como uma infração severa contra a segurança nacional e exigiu que potências estrangeiras parem de interferir na soberania e no judiciário da região.
“O governo central da China apoia firmemente Hong Kong na salvaguarda da segurança nacional e na repressão de atos que a ponham em risco, em conformidade com a lei”, declarou o porta-voz.






