Home / Tecnologia / Queda de big techs nas bolsas após derrota republicana nas midterms

Queda de big techs nas bolsas após derrota republicana nas midterms

Big techs perdem valor após derrota de aliados de Trump nos EUA

As empresas de tecnologia dos Estados Unidos enfrentam um novo cenário político e financeiro depois de candidatos republicanos apoiados financeiramente por bilionários do setor serem derrotadas nas eleições de meio de mandato, as midterms, realizadas na 3ª feira (3.nov.2026). A mudança de conjuntura foi abordada pelo New York Times em reportagem publicada nesta 5ª feira (5.nov).

Impacto na bolsa e inteligência artificial No mesmo dia, o mercado de tecnologia registrou forte desvalorização. O movimento foi impulsionado por dúvidas sobre a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial, pelo endividamento de empresas do setor e pelo temor de que a nova configuração política dos Estados Unidos dificulte a expansão dos centros de dados. Segundo o Wall Street Journal, a onda de vendas eliminou cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado de empresas do Nasdaq.

Apoio financeiro de bilionários A aproximação de empresários do Vale do Silício com o presidente Donald Trump (Partido Republicano) ganhou força em 2024. Executivos e investidores passaram a financiar iniciativas republicanas em busca de um ambiente regulatório favorável à expansão tecnológica. Elon Musk destinou desde 2025 mais de US$ 474 milhões a grupos políticos federais e estaduais, sendo a maior parte desse montante a iniciativas republicanas (como o Senate Leadership Fund, supercomitê de ação política que apoia candidatos republicanos ao Senado que recebeu US$ 158 milhões do empresário, e o America PAC, organização que atua na mobilização de eleitores que teve repasse de US$ 76 milhões). O controlador da Tesla e da SpaceX também destinou US$ 10 milhões ao Lone Star Liberty PAC, que apoia Ken Paxton, candidato republicano ao Senado pelo Texas. Na 3ª feira (3.nov.) o deputado estadual democrata James Talarico venceu Paxton com 55% dos votos contra 43,1% do republicano. Talarico é o 1º democrata a conquistar uma cadeira no Senado pelo Estado desde 1988. Outros bilionários, como os investidores Marc Andreessen e Ben Horowitz, também financiaram iniciativas políticas ligadas ao setor.

Mudanças no Congresso e governos estaduais O resultado das urnas deu aos democratas o controle das duas Casas do Congresso e ampliou a presença do partido em governos estaduais importantes. Entre os eleitos estão políticos que defendem maior fiscalização das big techs e restrições à construção de centros de dados, instalações essenciais para o funcionamento de sistemas de IA. No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott. Durante a campanha, ela defendeu uma moratória sobre todas as autorizações para centros de dados até que o Legislativo estadual aprove novas regras de proteção às comunidades. A proposta também envolve consumo de água e energia, subsídios fiscais e transparência dos projetos.

Perdas históricas no mercado financeiro Nesta 5ª feira (5.nov), a perspectiva de mudanças regulatórias, somada às preocupações com os custos e o retorno financeiro da inteligência artificial, provocou uma onda de vendas de ações. Segundo dados divulgados pelo The Wall Street Journal, a desvalorização atingiu US$ 2,49 trilhões em perda estimada de valor de mercado das empresas do Nasdaq Composite em um único dia, a maior já registrada pelo índice; US$ 1 trilhão em perda aproximada de valor de mercado das chamadas 7 Magníficas, grupo formado por Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Tesla; além de quedas de 9,3% nas ações da Nvidia, cerca de 9% nos papéis da Tesla e da SpaceX, 17,3% de desvalorização na AMD e cerca de 12% no índice de semicondutores da Bolsa da Filadélfia. A desvalorização também refletiu dúvidas anteriores sobre o endividamento de empresas do setor –ampliadas pela vitória democrata, que colocou em discussão a velocidade de expansão da infraestrutura tecnológica nos EUA. A reportagem do WSJ aponta uma combinação de fatores que pressionam um mercado que já apresentava sinais de fragilidade mesmo antes das midterms, incluindo o receio de que a expansão dos centros de dados seja desacelerada por restrições regulatórias, dúvidas sobre a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial, resultados financeiros da Amazon e da Alphabet considerados decepcionantes por investidores, endividamento elevado de empresas ligadas à infraestrutura de IA e desmonte de posições alavancadas e vendas sistemáticas de ações. A preocupação dos investidores é que a mudança no equilíbrio de forças políticas nos Estados Unidos resulte em regras mais rigorosas para a construção de centros de dados, especialmente em relação ao consumo de energia e água. As restrições podem afetar empresas de semicondutores, fornecedoras de equipamentos e companhias responsáveis pela operação da infraestrutura de inteligência artificial.

Reação oficial O presidente norte-americano publicou nas redes sociais que “o mercado de ações sofreu um dos piores dias da história em decorrência dos resultados da eleição“. Na postagem, culpou os “dumocrats” (junção de dumb e democrats, ou “democratas idiotas“). “Foi preciso tanto esforço para chegarmos a um patamar nunca antes visto, e agora, isto. Consequentemente, os seus planos de aposentadoria sofreram quedas. Lembrem-se: não foram os republicanos, foram os ‘Dumocrats’. Mas não tenham medo; de uma forma ou de outra, em breve seremos MAIORES E MAIS FORTES DO QUE NUNCA. TORNEM A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!“, escreveu.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *