O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que irá se submeter ao rito constitucional do processo de impeachment. Em uma declaração pública, o mandatário afirmou que está à disposição para prestar esclarecimentos sobre as denúncias envolvendo o banco ueno e reafirmou seu compromisso em colaborar com as investigações judiciais para identificar eventuais responsáveis por irregularidades.
Esclarecimentos sobre o caso ueno
A crise política, que coloca em xeque a permanência de Peña no poder, gira em torno de supostas ligações com o banco ueno. O presidente defendeu que a questão financeira dos correntistas não deve ser utilizada como moeda de troca política. De acordo com o líder paraguaio, o ressarcimento das famílias afetadas pela instabilidade da instituição bancária deve ocorrer de forma independente ao desfecho do processo de afastamento.
Governo nega tentativa de fuga
Em meio à instabilidade, surgiram boatos de que o chefe do Executivo teria deixado o país em direção à Argentina. A informação foi categoricamente negada por Guillermo Grance, porta-voz da presidência, que assegurou a permanência de Peña no território paraguaio. “Quero reiterar que o presidente da República está no país e vai cumprir seu dever constitucional de se defender. Ele fará isso dentro do prazo e da forma estabelecidos”, afirmou a jornalistas.
A palavra do presidente
Em mensagem direcionada à população, o presidente reforçou sua intenção de enfrentar o processo legislativo. Leia abaixo o posicionamento oficial:
“Queridos compatriotas, Sei que estamos vivendo momentos de preocupação e incerteza. Quero falar com vocês com clareza e serenidade. Diante da continuidade do processo de impeachment, vou me apresentar e exercer meu direito de defesa. Farei isso com argumentos e provas, em respeito à Constituição e às instituições da República. Mesmo que já tenham antecipado sua decisão, vou exercer esse direito. Não por orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade diante do povo paraguaio. Vou colaborar plenamente com as instituições competentes para esclarecer o que aconteceu, determinar as responsabilidades e garantir que aqueles que tenham infringido a lei respondam à Justiça. Fornecerei todas as informações que me forem solicitadas. A população merece conhecer a verdade, sem encobrimentos e sem que ninguém esteja acima da lei. Mas quero deixar uma coisa muito clara. O pagamento aos correntistas não pode ficar condicionado ao que acontecer comigo. A discussão sobre minha permanência no cargo não pode paralisar as soluções de que as famílias afetadas precisam. Minha prioridade foi promover, dentro da lei e em coordenação com as instituições responsáveis, as medidas necessárias para que os correntistas recuperem suas economias. Esclarecer os fatos e resolver os pagamentos são obrigações que precisam avançar ao mesmo tempo. Uma não pode servir de desculpa para adiar a outra. Peço que mantenhamos a calma e a paz. As reivindicações da população merecem ser ouvidas e atendidas com respeito, informações claras e ações concretas. Meu destino pessoal não está acima do Paraguai. Qualquer que seja o resultado deste processo, agirei com responsabilidade e respeito à Constituição. Meu compromisso é com a verdade, com as instituições e, acima de tudo, com as famílias paraguaias”
O cenário político no Paraguai permanece sob forte tensão, com o Congresso monitorando os próximos passos do presidente diante da pressão popular e das evidências que ainda deverão ser apresentadas no decorrer do processo.






