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Yoani Sánchez e líder oposicionista são presas em Havana

Jornalista Yoani Sánchez e líder oposicionista são presas em Cuba

A renomada jornalista Yoani Sánchez e a líder do grupo oposicionista Damas de Branco, Berta Soler, foram detidas nesta quinta-feira (5) na capital cubana. A informação foi confirmada por veículos de comunicação da dissidência e por familiares das ativistas.

Detalhes da detenção da blogueira

Fundadora e diretora do jornal digital 14ymedio, Sánchez, de 51 anos, foi “sequestrada pela polícia política” nas primeiras horas da manhã quando deixava sua residência, localizada no bairro de Nuevo Vedado, com o objetivo “para fazer compras”.

Horas após a abordagem policial, seu marido e também repórter independente, Reinaldo Escobar, publicou nas redes sociais: “Continuamos sem notícias de Yoani Sánchez”.

Ação contra as Damas de Branco

De maneira simultânea, Ángel Moya, marido de Berta Soler e também dissidente, relatou à agência AFP que sua esposa e María Cristina Labrada, membro do mesmo coletivo opositor, “foram detidas em plena rua quando ambas saíam da casa” que serve como sede para a organização.

Diante do sumiço das ativistas, Moya declarou: “Não sabemos para onde as levaram”. Organizações internacionais de direitos humanos, como o Observatório Cubano de Direitos Humanos, sediado na Espanha, utilizaram as redes sociais para cobrar “informações imediatas sobre o paradeiro de Soler e Labrada” e exigir a soltura imediata de ambas.

Histórico de perseguição e contexto da imprensa

Tanto Sánchez quanto Soler possuem projeção internacional por suas atuações. A líder das Damas de Branco, de 63 anos, cujo movimento foi laureado com o Prêmio Sakharov pelo Parlamento Europeu em 2005, sofre constantemente com prisões temporárias e confinamento em sua residência. O grupo nasceu em 2003 em protesto contra a prisão de 75 opositores na chamada “Primavera Negra”.

Por sua vez, a jornalista ganhou projeção mundial ao receber o Prêmio Ortega y Gasset em 2008 e integrar a lista das 100 pessoas mais influentes da revista Time no mesmo ano. Através de seu portal, ela expõe de forma contínua a censura estatal e as dificuldades enfrentadas pela imprensa livre em Cuba.

Conforme a legislação do país, alterada em 2023, apenas os veículos estatais sob o comando do Partido Comunista possuem reconhecimento legal. Apesar disso, plataformas digitais independentes operam na internet com o apoio de redes privadas virtuais para contornar o bloqueio oficial, embora colabores desses portais sofram frequentemente com abordagens policiais, multas e advertências.

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