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Renúncia de Santiago Peña: quem assume a presidência do Paraguai

Quem governa o Paraguai depois da renúncia do presidente?

O cenário político no Paraguai sofreu uma mudança drástica nesta quinta-feira (5), com o anúncio da renúncia de Santiago Peña à presidência da República. A decisão ocorre em meio a um grave escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, instituição que possui ligações com antigos sócios do agora ex-mandatário. Com a vacância do cargo, o vice-presidente Pedro Alliana está pronto para assumir o Executivo e cumprir o restante do período constitucional, aguardando apenas a formalização do Congresso Nacional.

A trajetória de Pedro Alliana

Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez, natural de Pilar, no departamento de Ñeembucú, consolidou sua carreira política como uma figura central do Partido Colorado (Asociación Nacional Republicana — ANR). Ele atuou nas últimas duas décadas como um dos principais articuladores da legenda. Alliana formou a chapa vitoriosa nas eleições gerais de 30 de abril de 2023, alcançando 42,74% dos votos válidos ao lado de Peña.

O pronunciamento de Santiago Peña

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Peña justificou sua saída alegando a busca pela preservação da estabilidade nacional. “A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Peña em um vídeo.

O ex-presidente também pediu desculpas aos cidadãos paraguaios. “Também quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. Todos os dias assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias no nosso sistema financeiro”, afirmou.

Pressão política e risco de impeachment

A renúncia de Peña foi antecipada por um movimento crescente no Legislativo para destituí-lo. O Partido Colorado, inclusive, retirou o apoio ao presidente antes da formalização de sua saída. “Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiaria o julgamento político para “reconduzir a institucionalidade da República”.

A Câmara dos Deputados havia iniciado uma sessão para analisar a acusação, com amplo apoio de diversas bancadas, o que tornava o processo de impeachment uma ameaça real e iminente ao governo.

A crise no Ueno Bank

O estopim da crise ocorreu na última terça-feira (3), quando milhares de manifestantes tomaram as ruas de Assunção exigindo o acesso aos seus recursos no Ueno Bank. A instituição, uma das maiores plataformas digitais do país, foi declarada insolvente e sofreu intervenção do Banco Central.

Como resposta, o Banco Central do Paraguai bloqueou recursos e suspendeu saques de fundos de investimentos, afetando parte significativa da população. Para mitigar os danos, o órgão anunciou a antecipação da garantia de depósitos, limitada a 40 salários mínimos. Paralelamente, o Judiciário determinou a prisão preventiva de oito executivos do banco, incluindo o presidente Juan Manuel Gustale e o diretor-executivo Federico Miguel Vázquez.

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