O sistema financeiro do Paraguai enfrenta um cenário de instabilidade após a queda do Ueno Bank, o maior banco digital do país. A instituição, que contava com uma vasta base de clientes, administrava aproximadamente US$ 850 milhões oriundos de cofres públicos, montante que incluía verbas da Previdência e do Ministério da Saúde. O bloqueio dos ativos coloca em risco o pagamento de benefícios essenciais para aposentados e gera incerteza para cerca de 3 milhões de pessoas.
Impacto na rotina dos correntistas
A falência resultou no congelamento imediato de contas, cartões e do acesso aos aplicativos bancários. A situação é particularmente delicada para a comunidade de brasileiros residentes no território paraguaio, que dependiam dos serviços da instituição para movimentações financeiras cotidianas.
Pressão política e protestos
A instabilidade nas ruas de Assunção tem sido constante. Na terça-feira (3), manifestantes tomaram o centro da capital exigindo a liberação dos valores retidos e a saída de Santiago Peña. Em meio ao clima de tensão, o presidente da Câmara convocou uma sessão extraordinária para debater os desdobramentos do caso.
Intervenção e mudanças no alto escalão
O Banco Central do Paraguai interveio na instituição após identificar que o índice de solvência do banco estava abaixo de 50% do limite legal. A crise provocou uma reestruturação no comando do setor financeiro nacional, resultando na renúncia do presidente do Banco Central e na prisão de oito diretores do Ueno Bank.
Conexões com o governo
O desgaste político do presidente Santiago Peña é agravado pelo fato de que, até o ano passado, ele era sócio do grupo que controla o banco. A crise também atingiu o setor esportivo, já que a instituição era patrocinadora da seleção paraguaia de futebol. Jogadores do elenco chegaram a se manifestar publicamente em solidariedade aos afetados pelo colapso, revelando que alguns atletas também mantinham seus recursos na conta do banco.






