Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira no legislativo da Flórida, nos Estados Unidos. Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, o democrata venceu a disputa pelo Distrito 42 com 62,41% dos votos. Sua trajetória, que inclui anos como imigrante sem documentos e uma atuação histórica em movimentos sociais, agora será levada ao parlamento estadual com foco em uma agenda progressista.
Atuação política e pautas sociais
O deputado eleito descreve sua plataforma, chamada “Prosperando Juntos”, como um compromisso com cinco pilares fundamentais: moradia acessível, educação pública, saúde, meio ambiente e direitos civis. Ele destaca que sua vitória representa um marco não apenas para a comunidade brasileira ou LGBT+, mas para a classe trabalhadora. “Pessoas que chegaram do nada, que constroem uma vida passo a passo”, afirmou. Inspirado por figuras como a deputada brasileira Erika Hilton, ele busca equilibrar a representatividade com pautas concretas para a população local.
Críticas ao tratamento de imigrantes e a Flávio Bolsonaro
Um dos pontos centrais do discurso de Sousa-Lazaballet é a oposição às políticas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O político aponta que leis estaduais na Flórida têm gerado medo em famílias e afastado crianças das escolas públicas. Além disso, ele se posicionou de maneira enfática contra o acolhimento de figuras políticas brasileiras investigadas em solo americano.
Sobre a permanência de Flávio Bolsonaro na Flórida, o deputado foi direto: “Não faz sentido nenhum para mim aceitar um político fugido do Brasil”, diz. “Os EUA não deveriam interferir e, enquanto isso, estão deportando empregada doméstica que nunca cometeu nenhum crime.”
Contexto de superação e futuro
A trajetória de Sousa-Lazaballet começou aos 14 anos, quando deixou o Brasil. Por mais de uma década, viveu sem documentação, enfrentando limitações severas de acesso ao trabalho e ao ensino superior. Sua regularização só ocorreu em 2021, após anos de ativismo, incluindo uma marcha a pé de Miami a Washington em defesa dos direitos dos imigrantes.
Agora, na Assembleia da Flórida, ele pretende atuar como uma ponte entre Brasil e EUA. Apesar da predominância conservadora entre parte do eleitorado brasileiro na região, o deputado afirma que seu gabinete estará aberto ao diálogo: “Eu trabalho com quem quer trabalhar comigo, porque é o que eu sempre digo: se eu não concordo com você em 80% das coisas, mas concordo em 20%, vamos trabalhar nesses 20%.”






