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Câmara do Paraguai discute impeachment de Santiago Peña

Paraguai: entenda por que Peña pode sofrer impeachment após crise bancária

A Câmara dos Deputados do Paraguai iniciou nesta quinta-feira (5) a análise de um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A ofensiva política, que ganhou força após a liquidação do banco digital Ueno, conta com o apoio da oposição e, surpreendentemente, da própria bancada governista do Partido Colorado.

O cenário da crise bancária

A instabilidade política foi deflagrada pela decisão do Banco Central do Paraguai de liquidar o Ueno na última terça-feira (3). A autoridade monetária constatou que a instituição não possuía recursos suficientes para honrar suas obrigações financeiras, deixando milhões de clientes impossibilitados de movimentar suas contas. O banco, que administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas de aposentadoria, enfrentava investigações sobre empréstimos concedidos a empresas do próprio grupo controlador.

Acusações contra o presidente

O pedido de destituição de Peña baseia-se em denúncias de conflito de interesses e supostas irregularidades na gestão de fundos previdenciários. O foco das críticas recai sobre a ligação histórica do presidente com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno. Peña manteve ações do grupo até março de 2025, mesmo após ter assumido o governo em 2023. Para que o processo de impeachment avance, é necessário o aval de dois terços da Câmara.

Impactos e desdobramentos

O caso já gerou consequências severas, incluindo a prisão de oito executivos do banco, como o presidente-executivo Miguel Vázquez, além da renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. A situação gerou pânico entre correntistas, muitos deles aposentados que dependiam do banco para receber seus benefícios.

“Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores de Assunção. “Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim.”

Resposta do governo

Em meio à pressão, Santiago Peña promulgou uma lei para facilitar o ressarcimento dos clientes e afirmou que os culpados devem ser punidos. Sobre a crise, o presidente declarou: “este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”. Ele também enfatizou que os envolvidos “devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”.

Em relação aos impasses políticos, o presidente reforçou: “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”.

Apesar das garantias do governo e da Associação de Bancos do Paraguai de que o sistema permanece operante, a crise continua a pressionar o mercado financeiro e a estabilidade da gestão de Peña, que tenta conter o desgaste político enquanto o Judiciário avança sobre as irregularidades do Ueno.

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