O proeminente ativista de Hong Kong Joshua Wong foi condenado nesta quinta-feira (5) a 10 anos de prisão por sua segunda condenação com base em uma lei de segurança nacional imposta por Pequim, em um caso que, segundo críticos, reflete a repressão ao movimento pró-democracia da cidade, que já foi bastante ativo.
Acusação e confissão de culpa
Wong foi acusado em 2025 de conspiração para se aliar a forças estrangeiras com o objetivo de colocar em risco a segurança nacional, segundo a lei. Em setembro, ele se declarou culpado do crime, uma medida que normalmente pode reduzir a pena.
O ativista, de 30 anos, já cumpre uma pena de quatro anos e oito meses de prisão pelo maior caso de segurança nacional da cidade, relacionado a uma eleição primária não oficial, depois de ter se declarado culpado também naquele processo. Antes de ser processado pela acusação relacionada à conspiração, a expectativa era que Wong fosse libertado em janeiro de 2027.
O juiz William Tam afirmou durante a audiência de sentença que o crime cometido por Wong era de natureza grave e rejeitou a alegação de que seu papel havia sido limitado. Ele também disse que considerou inicialmente uma pena de 13 anos de prisão, mas a reduziu devido à confissão de culpa de Wong.
O juiz afirmou ainda que Wong poderá cumprir as duas penas de prisão simultaneamente. Restam apenas cerca de dois meses da pena referente à condenação anterior por segurança nacional.
Reações e impacto na sociedade civil
Wong aparentava estar calmo e agradeceu a seus apoiadores antes de deixar o tribunal. Seus apoiadores acenaram para ele, e Tiffany Chin, ex-integrante do já extinto Scholarism, que já foi liderado por Wong, chorou.
A moradora ET Wong afirmou que, quando Joshua Wong era apenas adolescente, já tinha uma “visão ampla” que talvez nem alguns adultos tivessem. Segundo ela, ele percorreu um caminho difícil pelo futuro de Hong Kong, pelos direitos humanos e pelo movimento estudantil.
“Pelo menos para mim, ele não deveria ter passado um único dia preso injustamente”, afirmou.
Observadores afirmam que a condenação de Wong mostra a determinação das autoridades em manter ativistas de destaque presos pelo maior tempo possível, desestimulando ainda mais o ativismo da sociedade civil.
“As acusações com base na Lei de Segurança Nacional podem ser usadas repetidamente como arma para manter um determinado preso político na cadeia, caso o governo considere necessário”, afirmou Eric Lai, pesquisador do Centro de Direito Asiático da Universidade Georgetown, referindo-se à legislação.
Pequim, porém, considera Wong uma figura antichinesa que apoia a independência de Hong Kong, posição que ultrapassa uma linha vermelha para o governo chinês. As autoridades de Hong Kong também sustentam que a lei de segurança é fundamental para a estabilidade da cidade após os protestos de 2019 e que as ações das forças de segurança foram baseadas em evidências.
Lobby internacional e rotina na prisão
A acusação havia alegado anteriormente que Wong e o também ativista Nathan Law concordaram, por volta de 2016, em fazer lobby internacional para alcançar o objetivo de autodeterminação democrática. Segundo os promotores, antes da implementação da lei de segurança, os dois pediam sanções e outras medidas contra Hong Kong e a China. A acusação citou encontros de Wong com políticos americanos, como Nancy Pelosi e Marco Rubio, em 2016 e 2019.
Depois que a lei entrou em vigor, Law e outros ativistas avançaram nesse trabalho no exterior, reunindo-se com políticos estrangeiros e promovendo abaixo-assinados, segundo a acusação. Wong teria apoiado a iniciativa a partir de Hong Kong, utilizando veículos de comunicação estrangeiros e redes sociais para chamar a atenção de outros países e reforçar pedidos de sanções, bloqueios ou outras medidas hostis contra a China e Hong Kong.
O advogado de Wong, Derek Chan, havia pedido anteriormente ao tribunal que aplicasse uma pena que desse alguma esperança a seu cliente. Ele acrescentou que Wong deseja cuidar dos pais depois de ser libertado.
Amigos disseram que, durante os quase seis anos em que esteve preso, Wong continuou lendo livros e se exercitando, aprendeu sozinho a tocar violão e amadureceu sua forma de pensar.
Apesar de estar atrás das grades, a influência de Wong aparentemente continuou sendo uma preocupação para o campo pró-Pequim, refletida na repercussão recente de um documentário sobre sua trajetória na Netflix.






