Aos 72 anos, John Malkovich vive a expectativa de conquistar o primeiro Oscar de sua vitoriosa trajetória no cinema. O ator protagoniza Cavalo selvagem nove, longa-metragem que chega às salas brasileiras nesta quinta-feira (5) e o posiciona como o principal nome na disputa pela estatueta de melhor ator, superando concorrentes de peso como Matt Damon e Ryan Gosling.
O reconhecimento tardio de um mestre
Apesar de ter entregue atuações antológicas em produções como Ligações perigosas e Quero ser John Malkovich, o veterano acumulou apenas duas indicações ao longo de quatro décadas, ambas na categoria de coadjuvante. O cineasta Martin McDonagh, responsável pela direção do filme, admite que a ausência de um prêmio para o ator é algo que surpreende a todos no meio cinematográfico.
“Acho que eu presumia que ele já tinha ganhado um, como todo mundo presume”, afirma o cineasta, em entrevista ao g1.
“Só depois de ver como ele está maravilhoso no filme, quando o filme estava pronto, é que você começa a pensar sobre essas coisas. Ou ouvir essas coisas. Eu ficaria surpreso se tivesse uma performance melhor nesse ano.”
Parceria com Sam Rockwell
O longa narra a jornada de dois espiões da CIA em uma missão que transita entre o Chile de 1973 e a Ilha de Páscoa. Ao lado de Malkovich, o ator Sam Rockwell, vencedor do Oscar por Três anúncios para um crime, interpreta um personagem que funciona como uma alma gêmea para o protagonista. Rockwell, que mantém uma amizade de longa data com Malkovich, não poupa críticas à Academia pela falta de reconhecimento ao colega.
“É uma sacanagem”, exclama Rockwell.
Para o ator, o papel de um espião que lida com a mortalidade e o legado é a oportunidade perfeita para a Academia corrigir uma injustiça histórica. “Ele tem muito a favor dele. Tem um pouco de demência, é um viciado, possivelmente matou um presidente famoso. Ah, alerta de spoiler. Tem muito acontecendo. Esse papel tem muitos elementos. É um golaço.”
Bastidores da produção
A colaboração entre o diretor Martin McDonagh e o elenco principal foi o ponto alto da produção. Após tentar escalar Malkovich em projetos anteriores, como Sete psicopatas e um shih tzu, o diretor finalmente conseguiu unir o veterano a Rockwell, explorando a química real entre os dois.
“Eu não estava pensando nele quando escrevi, mas, depois de terminar, havia somente algo como dois ou três atores no mundo que poderiam fazer o que ele faz. Eu sempre quis trabalhar com o John. Mas eu também sabia que o John e o Sam têm um carinho enorme um pelo outro, e o filme também é sobre isso. É sobre o amor desses dois personagens”, afirma McDonagh.
“O melhor da geração do John é o John. O melhor da geração do Sam é o Sam. Mas, como eles se amam, você sabe que terá fogos de artifício e momentos lindos na tela.”
A narrativa do veterano respeitado pelos pares, somada a uma atuação densa e dramática, coloca Malkovich como o grande favorito para a temporada de premiações de 2027, consolidando o filme como uma das produções mais comentadas do ano.






