Davi alcolumbre rebate críticas da oposição no plenário
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), questionou nesta quarta-feira (4) a coerência dos congressistas que contestam a urna eletrônica somente depois do 2º turno das eleições. O discurso foi feito em plenário e veio na sequência de críticas do líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), à condução da Casa.
A reação de Alcolumbre aconteceu no mesmo dia em que o PL formalizou a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, cargo que será disputado em 2027. O momento é de tensão entre a oposição e a base governista em razão das emendas da redução da maioridade penal.
Para Alcolumbre, a urna que foi comemorada pelo grupo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no 1º turno das eleições não pode ser considerada fraudada no 2º turno, do qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu reeleito.
“No 1º turno a urna eletrônica prestou. Serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição, serviu para eleger 20 e tantos senadores. E quando abriu no 2º turno não prestou mais a urna? Eu queria encontrar 1 para dizer que deu errado desde o 1º turno”, afirmou.
O discurso foi uma resposta às críticas que Alcolumbre recebeu durante a campanha eleitoral. Segundo ele, senadores que se elegeram pelo campo oposicionista concentraram críticas à sua gestão à frente do Senado para prejudicar sua imagem, sem apresentar propostas concretas aos eleitores.
Alcolumbre também lamentou que adversários tenham vencido as eleições de outubro com base em “ataques pessoais”. Ele disse: “Muitos atores políticos do meu país, chamado Brasil, se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas”.
Para o presidente do Senado, propostas ligadas a universidades, institutos federais, saúde, democracia e desenvolvimento econômico foram substituídas nas campanhas por agressões e ameaças. “Deu os votos. E nós estamos aqui, abriu as urnas e ganharam a eleição”, afirmou.
O senador pediu ainda que as bancadas retomem o debate de pautas como infraestrutura, licenciamento ambiental, saúde, educação e desenvolvimento econômico. O senador apelou para que o Congresso busque um “senso razoável” nas discussões sobre o futuro do país.
Rompimento de acordos e reação do pl
O discurso deu-se em um momento de tensão entre a oposição e o governo. No mesmo dia, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), anunciou o rompimento do diálogo com o Poder Executivo no Congresso Nacional.
A decisão foi tomada depois de a base governista ter articulado para retirar da PEC da Segurança Pública duas emendas sobre a redução da maioridade penal, uma de Marinho e outra do senador Camilo Santana (PT-CE), para que tramitassem de forma autônoma.
Depois da aprovação do destaque, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) sugeriu votar a urgência da matéria para acelerar a análise, o que exigiria um acordo de texto entre PT e PL. A proposta inicial tinha o aval de Alcolumbre, que segundo Portinha, teria feito acordo junto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para garantir rapidez também entre os deputados.
No entanto, Alcolumbre recuou e decidiu deixar o debate da maioridade penal para a Câmara dos Deputados, afirmando que respeitará o acordo com Motta para que os deputados deliberem primeiro.
“Eu aprendi na vida que acordo é para ser cumprido. Ou então não faça. Ainda que seja um mau acordo, cumpra na sua vida, porque a palavra vale muito”, declarou Carlos Portinho sobre a decisão do presidente do Senado.
O senador criticou a manobra e afirmou que o Senado abriu mão de seu papel institucional ao violar os acordos firmados. “A gente perdeu a iniciativa no Senado. O Senado hoje está submetido ao Poder Judiciário e à Câmara dos Deputados. A gente está abrindo mão de ser a casa revisora”, declarou.
Portinho argumentou que a oposição aceitou não votar destaques que poderiam derrotar o governo no plenário em troca de um compromisso de votação de uma proposta consensual de maioridade penal a 16 anos. O senador citou o constrangimento de senadores da base aliada, como Eduardo Braga, diante do recuo.
Ao final do discurso, o líder do PL afirmou que a oposição passará a obstruir e votar contra pautas prioritárias do Executivo no Congresso, citando a regulamentação das apostas e discussões sobre escala de trabalho.
“Comigo não tem mais acordo. Com o governo não tem mais acordo. Esgotou. Não tem acordo em reforma tributária. Não tem acordo em mexer em 5 por 2”, afirmou.






