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Derrota de Trump no Congresso americano redefine rumos da política externa

Trump perde o Congresso: o que muda para o Brasil e para os conflitos no mundo?

A derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições de meio de mandato traz incertezas sobre os próximos passos da geopolítica internacional. Historicamente, líderes norte-americanos que perdem o controle do Congresso direcionam o foco para a política externa, onde dispõem de maior autonomia. No entanto, analistas apontam que a conjuntura atual pode forçar uma guinada diferente.

Por que o cenário atual é atípico? O desgaste gerado pelo conflito com o Irã e a inflação interna pesaram na popularidade da gestão republicana, alterando a tradicional cartilha dos presidentes chamados de “patos mancos”.

Para Roberto Uebel, professor da ESPM, o foco agora será a economia. “Eu acredito que para ele conseguir manter uma sobrevivência política, ele precisa dar resultados, porque os norte-americanos votam por resultados econômicos”, afirma.

No mesmo sentido, Vinicius Rodrigues Vieira, da Faap, avalia que novas intervenções se tornaram caras demais. “Essa seria a expectativa no passado”, avalia. “Nada mais claro do que as dificuldades enfrentadas no Irã para demonstrar que caso Trump queira abrir novas frentes de batalha em política externa, ele terá acho que mais problemas do que soluções”.

Já Vitelio Brustolin, da UFF, entende que os pilares estratégicos estabelecidos dificilmente serão desfeitos. “Os passos que foram dados e que foram, inclusive, ratificados na estratégia nacional de defesa e na estratégia de segurança nacional, eles não têm como recuar”, diz.

Reflexos na América Latina e no Brasil As nações latino-americanas continuarão na mira de Washington, embora com abordagens distintas. Brustolin destaca que a pressão regional deve persistir para conter a influência de Pequim e o narcotráfico.

“[Apesar disso], não percebo que haja uma repercussão direta na redução ou na aplicação de mais tarifas contra o Brasil, por conta desse novo congresso dos Estados Unidos”, continua. “O que pode acontecer é que questões relacionadas ao Brasil sejam usadas pela nova Câmara e pelo novo Senado para questionar autoridades do governo Trump, inclusive o Marco Rubio e o Pete Hegseth, secretário de guerra dos Estados Unidos”.

Por outro lado, Uebel prevê um recuo na atenção dispensada à região. “Se hoje a prioridade do presidente Trump vai ser a sua sobrevivência política, Venezuela não é mais prioridade. A América Latina não é mais prioridade”, afirmou.

Impactos nos conflitos do Oriente Médio e da Ucrânia No Oriente Médio, o custo político da guerra iraniana forçará uma busca por soluções diplomáticas ou reduções de danos, segundo os especialistas. Vieira ressalta a necessidade de uma saída estratégica para a Casa Blanca: “Ele vai querer declarar alguma vitória no Irã. E, para tanto, me parece que ele precisa encontrar uma saída honrosa. Os democratas, agora com controle da Câmara e do Senado, podem impeli-lo a buscar ali uma negociação e aceitar o acordo menos pior possível, desde que ele possa vender-se como vencedor da batalha”, afirma.

Em relação a Israel, a suspensão dos repasses anuais a partir de 2027 reflete o desejo de cortar gastos externos, embora a venda de armamentos continue viável, conforme pontua Brustolin: “Os EUA não vão mais repassar US$ 4 bi para Israel por ano, mas tudo que Israel quiser comprar, vai poder comprar”, explica. “Então os caças vão continuar sendo vendidos, equipamentos de defesa antiaérea e todo o restante vai continuar sendo fornecido. Israel só não vai mais ter acesso a um repasse anual”.

Por fim, o conflito ucraniano também entra em uma fase de reavaliação. Com a oposição democrata fortalecida no Legislativo, as negociações de paz intermediadas pelos Estados Unidos ganham novos contornos, dependendo do equilíbrio interno entre correntes isolacionistas e intervencionistas no parlamento americano.

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