Uma onda de manifestações tomou conta de Assunção nesta terça-feira (3), quando milhares de cidadãos paraguaios saíram às ruas para exigir acesso imediato aos seus recursos financeiros. A revolta popular eclodiu após uma grave crise atingir o Ueno, considerado um dos principais bancos digitais do país e responsável por atender cerca de 3 milhões de clientes.
Impacto nos serviços e fundos públicos
A instabilidade financeira paralisou as operações da instituição, que funciona como a maior emissora de cartões de crédito em território paraguaio. Clientes que tentaram buscar atendimento presencial encontraram agências de portas fechadas, enquanto os canais digitais e plásticos pararam de funcionar completamente, prejudicando inclusive aposentados que dependem da plataforma para receber benefícios estatais.
O cenário é ainda mais grave devido à exposição do banco a recursos estatais. A instituição gerencia aproximadamente US$ 850 milhões em verbas públicas, montante que engloba valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos previdenciários, intensificando a indignação popular e provocando confrontos entre manifestantes e forças de segurança na capital.
“Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores da capital paraguaia. “Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim.”
Reação do governo e medidas emergenciais
Diante do caos instalado, o presidente Santiago Peña articulou um acordo com lideranças legislativas para agilizar a votação de um dispositivo legal. A proposta visa liberar o uso do Fundo de Garantia nacional para quitar os valores devidos aos correntistas e resgatar os recursos públicos aplicados na instituição.
Em paralelo, o Ministério Público ordenou a instauração de um inquérito criminal e determinou a captura de oito pessoas associadas ao banco, incluindo executivos e membros do grupo controlador. O Banco Central do Paraguai interveio para blindar os depositantes, processo que culminou na demissão do presidente da entidade, Carlos Carvallo.
Carvallo, que esteve à frente da instituição financeira até agosto de 2023, sofria intensa pressão parlamentar pela condução da fiscalização. Ao deixar o posto, ele declarou:
“Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”, declarou o presidente.
Peña acrescentou que os responsáveis pelo caso “devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”.
Desdobramentos econômicos e estabilidade
O escândalo também gerou reflexos imediatos no mercado internacional, abalando os títulos soberanos do país e os papéis em dólar da empresa com vencimento em 2031. Enquanto autoridades tentam conter o pânico e assegurar que o problema é restrito, a Superintendência de Bancos se prepara para enviar auditores com o objetivo de auditar profundamente o balanço de ativos do Ueno.






