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Guerra em Gaza define eleição acirrada para o Senado em Michigan

Eleições nos EUA: como apoio a Israel e guerra em Gaza afetam disputa ao Senado

A guerra em Gaza transformou-se no principal termômetro das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, especialmente na acirrada disputa pela vaga ao Senado em Michigan. O confronto eleitoral coloca frente a frente o médico democrata Abdul El-Sayed e o republicano Mike Rogers, em um pleito que pode decidir o controle do Congresso americano.

As midterms nos EUA Questões locais e econômicas costumam dominar as atenções nas eleições de meio de mandato americanas, mas a situação no Oriente Médio mudou esse panorama. Dados do projeto Custos da Guerra da Universidade Brown mostram que os gastos dos EUA com o conflito ultrapassaram US$ 31 bilhões nos dois primeiros anos.

O cenário político em Michigan Michigan abriga uma das maiores concentrações de árabes-americanos dos EUA, além de uma comunidade judaica expressiva. A insatisfação com a política externa do governo levou eleitores tradicionais democratas a romperem com o partido em 2024, movimento que agora impacta diretamente a corrida senatorial.

“É Gaza ou nada”, declarou a iemenita-americana ao programa de rádio The Global Story, do Serviço Mundial da BBC.

“Se você não for bom sobre Gaza, Israel e a Palestina, não precisamos de você no poder e não precisamos votar em você, não importa qual seja a sua filiação partidária.”

A mudança no perfil dos eleitores Decepcionados com os rumos da administração anterior, muitos cidadãos optaram por apoiar Donald Trump no pleito presidencial de 2024. Samraa Luqman relata a guinada em sua trajetória política.

“Fiquei furiosa porque fui democrata por toda a vida”, ela conta, “e não foi só porque eles não disseram a palavra ‘cessar-fogo’, nem tentaram suspender o genocídio.”

“Foi especificamente porque eles se mantiveram firmes e disseram: ‘Não fizemos nada de errado. Iremos continuar com nossas políticas.'”

“Eu não só votei”, segundo ela. “Fiz campanha para ele.”

Outro morador da região, Amer Zahar, avalia que a pressão exercida pelas minorias mudou a postura interna das legendas políticas.

“O Partido Democrata nem sempre me ouve e acho que nem sempre ouve a nossa comunidade”, segundo ele.

“Precisávamos causar uma revolução no Partido Democrata e foi o que fizemos em 2024… Por isso, depois daquela revolução e da vitória de candidatos bons em relação à Palestina, o partido se tornou muito mais do que um lar para nós.”

Tensão entre comunidades e candidatos Enquanto El-Sayed tenta se consolidar como o primeiro senador muçulmano da história do país, ele enfrenta forte resistência de parte da comunidade judaica devido a declarações passadas e à postura em relação a Israel. Lideranças locais expressam preocupação com a segurança das minorias religiosas diante do tom adotado na campanha.

“Aquilo realmente foi um soco no estômago”, afirmou o presidente do Conselho de Rabinos de Michigan, Aaron Starr. Ele declarou publicamente que não irá votar em El-Sayed.

“A maior parte da nossa comunidade votou nos democratas e, agora, tem a sensação de que a linguagem e as ações de membros do Partido Democrata — não todos, mas de certos candidatos do Partido Democrata — estão colocando nossa segurança em risco”, afirmou Starr ao Serviço Mundial da BBC.

A polarização e o futuro político Do outro lado, o republicano Mike Rogers busca consolidar votos ao se apresentar como aliado firme de Israel, enquanto críticos o acusam de fomentar a islamofobia. A disputa segue imprevisível e reflete fraturas profundas no eleitorado americano.

“Sou democrata, mas, antes de tudo, preciso acreditar que a pessoa em quem estou votando me respeita, a mim, à minha política e à minha existência”, declarou o advogado e membro do conselho da Universidade de Michigan, Jordan Acker.

“Na visão de mundo de Abdul, parece que os judeus são aceitáveis como indivíduos. Os judeus não são aceitáveis como povo. E, para mim, isso é extremamente preocupante.”

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