As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), definem qual partido comandará o Senado norte-americano a partir de 2027. Dados de agregadores de pesquisas apontam uma disputa acirrada entre democratas e republicanos, colocando em risco a hegemonia do presidente Donald Trump no Poder Legislativo.
Como funcionam as eleições midterms
Diferentemente do modelo brasileiro, o Congresso dos Estados Unidos passa por renovações parciais a cada dois anos. Os deputados cumprem mandatos de dois anos, enquanto os senadores exercem funções por seis anos. Dessa forma, todo o pleito de meio de mandato renova integralmente a Câmara dos Representantes, com 435 cadeiras, além de 35 das 100 vagas disponíveis no Senado.
Atualmente, o Partido Republicano detém a maioria tanto na Câmara quanto no Senado, resultado conquistado nas urnas em 2024. No Senado, os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras e contam com uma vantagem estratégica: o vice-presidente do país, o aliado republicano J.D. Vance, atua como presidente da Casa e decide votações em caso de empate.
Projeções apontam ameaça ao governo
Apesar da vantagem numérica atual, o cenário pode sofrer reviravoltas. O centro de estudos The Center for Politics, da Universidade da Virgínia, projeta que os democratas alcançarão 53 cadeiras, deixando os republicanos com 47. O levantamento indica que os democratas devem tomar vagas em estados como Alasca, Texas, Kansas, Ohio, Carolina do Norte e Maine, embora a vantagem na maioria dessas regiões seja estreita.
Outros institutos traçam panoramas distintos. O agregador 270toWin enxerga um empate técnico com 48 assentos para cada legenda e quatro disputas em aberto. Já o Race to the WH aponta 51 cadeiras para os democratas e 45 para os republicanos, calculando em 81,1% a probabilidade de a oposição conquistar a maioria. A imprensa dos Estados Unidos classifica a corrida ao Senado como indefinida em sete estados principais: Maine, Iowa, Michigan, Alasca, Kansas, Ohio e Texas.
Impacto político e risco de investigações
Manter o controle do Senado é vital para o presidente Donald Trump, visto que a maioria na Casa facilitou o avanço da pauta governista nos últimos dois anos. Uma eventual derrota legislativa abriria caminho para barreiras às ações do Executivo.
Para Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais e especialista em política dos Estados Unidos, o receio do presidente vai além das pautas travadas:
“Com uma mudança no Congresso, a principal preocupação do Trump é com todas as investigações que serão feitas sobre malfeitos durante a administração dele. E os democratas já deixaram isso claro”, afirma.
“O atual Congresso tem sido muito omisso e deixado muito Trump fazer aquilo que ele quer.”
Apesar do risco de oposição acirrada, Poggio avalia que um processo de impeachment é improvável. Afinal, afastar o presidente não depende apenas de maioria simples na Câmara dos Representantes, exigindo o aval de dois terços do Senado — o que demandaria a adesão de parlamentares republicanos.






