A confissão inédita do empresário Fernando Sastre Filho durante o julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, resultou na diminuição de sua pena para pouco mais de 17 anos de prisão pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana.
Mudança na estratégia de defesa e o impacto na condenação O réu abandonou a tese que sustentava desde a colisão, ocorrida em 31 de março de 2024, de que havia consumido apenas água antes de dirigir o Porsche. A juíza Melanie Liesenberg acolheu parcialmente a atenuante da confissão espontânea após a decisão do júri, fixando a condenação em 17 anos, 1 mês e 10 dias por homicídio qualificado por perigo comum, na modalidade de dolo eventual, e lesão corporal gravíssima contra o passageiro Marcus Vinicius Machado Rocha. Sem o benefício legal, a punição ultrapassaria 18 anos.
Declarações do réu durante o interrogatório Emocionado durante o depoimento que durou cerca de uma hora e dez minutos, o empresário afirmou: “Eu poderia inventar mil desculpas, mas estou aqui entregue a esse plenário, eu acredito na Justiça. Hoje quero dizer a verdade.”
Em seguida, ele declarou: “Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica.”
Ao detalhar o consumo prévio, o réu disse: “Eu bebi dois drinks.”
Questionado sobre a ocultação anterior da verdade, o motorista pontuou: “Não tem justificativa para isso que eu fiz. Eu me arrependo profundamente de não ter contado a verdade desde o início.”
Ele também completou: “Eu me desculpo a todos aqueles que eu ofendi por não ter dito a verdade. E que hoje eu quero sim dizer a verdade.”
Por fim, pediu perdão aos familiares da vítima: “Eu imagino toda dor e sofrimento que eles estão sentindo. O seu Ornaldo tinha quase a mesma idade do meu pai. Posso imaginar o que eles estão sentindo e toda a devastação.”
Excesso de velocidade e contestação do Ministério Público O acidente aconteceu na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo. Laudo técnico apontou que o veículo de luxo trafegava a 156 km/h momentos antes de atingir a traseira do Renault Sandero dirigido por Ornaldo, de 52 anos, em uma via com limite de 50 km/h. O Ministério Público informou que vai recorrer da sentença para tentar elevar a condenação para mais de 20 anos de prisão.
Reações e próximos passos judiciais A namorada do réu, Giovana Pinheiro Silva, foi retirada do plenário por ordem da juíza após deboches durante depoimentos, recebendo multa de 10 salários mínimos, além da possibilidade de ser investigada por falso testemunho. A defesa informou que recorrerá da decisão. O advogado Jonas Marzagão declarou:
“A defesa de Fernando Sastre informa que recebeu a decisão do Tribunal do Júri com serenidade, mas discorda frontalmente dos fundamentos e do resultado do julgamento. Reafirmamos nosso respeito à instituição do Júri, porém ressaltamos que a decisão contraria as provas dos autos. Informamos que interporemos o recurso cabível para reverter o julgamento perante o Tribunal de Justiça.”






