As relações políticas nos Estados Unidos vivem momentos de alta tensão com o uso de inventários compilados pela gestão de Donald Trump. Esses registros com potenciais eleitores estrangeiros podem ser acionados para questionar a lisura dos resultados do pleito legislativo de meio de mandato.
Como funcionam as exigências federais
Até o final de outubro, o Departamento de Justiça notificou administrações de cinco territórios — Califórnia, Washington, Nova Jersey, Pensilvânia e Nevada — sobre a presença de supostos estrangeiros nos cadastros. No caso californiano, a exigência foi drástica: o órgão federal ordenou que cerca de 20 mil votos não fossem apurados sem uma checagem prévia de cidadania, acompanhada de ameaça de processo criminal contra mesários. O republicano reforçou o tom nas redes sociais ao escrever: “Todos eles irão para a prisão por um longo período de tempo!!!”.
Apesar da pressão, gestores estaduais negaram os pedidos de invalidação. A Califórnia argumenta que suas barreiras contra votações irregulares são sólidas. Enquanto isso, a Casa Branca defende que a participação de estrangeiros sem cidadania representa um obstáculo grave. Contudo, investigações jornalísticas indicam que fraudes desse tipo são extremamente raras no país.
Estratégia de cruzamento de dados
Para montar os cadastros, o poder executivo buscou informações detalhadas junto aos estados. Embora a confecção de listas centralizadas de votantes não seja uma atribuição federal direta, o governo exigiu registros completos que incluíam dados sigilosos. Enquanto dezenas de estados resistiram e travaram batalhas judiciais, outros entregaram as planilhas voluntariamente.
Com os dados em mãos, investigadores cruzaram as informações estaduais com arquivos federais. A justificativa oficial é a busca por rigidez no processo democrático. “Eleições acirradas não são raras, e cada voto ilegal anula o voto de um cidadão americano”, pontuou a porta-voz do Departamento de Justiça, Kiersten Pels.
Impactos judiciais e incertezas
A confiabilidade desses arquivos tem sido amplamente questionada nos tribunais, visto que muitas das pessoas apontadas são, na verdade, cidadãos norte-americanos legítimos. Juízes já barraram tentativas de bloqueio de votos por avaliarem que a medida geraria desordem e exclusão indevida de eleitores aptos.
Mesmo com reveses nos tribunais inferiores, autoridades avaliam levar o caso às instâncias máximas e ponderam novas alternativas jurídicas. “Os eleitores têm direito a listas eleitorais precisas, e os estados não deveriam ocultá-las da análise federal”, reforçou Pels. Especialistas apontam que, em disputas acirradas, essas contestações podem ser utilizadas por candidatos para tumultuar a certificação dos resultados nas urnas.






