A história secular da Igreja Católica no Acre ganha um novo capítulo com a posse de Dom Antônio Fontinele de Melo como o sexto bispo da Diocese de Rio Branco. A solenidade religiosa ocorreu na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, marcando a transição institucional após mais de duas décadas sob a liderança anterior.
Raízes históricas e os primeiros bispos Antes mesmo da formalização eclesiástica, a fé católica na região era mantida por meio de devoções populares trazidas por nordestinos que chegaram aos seringais a partir de 1877. O território, originalmente ligado à Diocese de Manaus, viu a criação da Prelazia Acre-Purus em 1920 pelo papa Bento XV, que nomeou Dom Próspero M. Bernardi como o primeiro líder religioso local.
Ao longo das décadas seguintes, a instituição foi moldada por figuras centrais como Dom Júlio Mattioli, responsável pela construção da catedral inaugurada em 1958, e Dom Giocondo M. Grotti, único representante local a participar do Concílio Vaticano II. A transição definitiva de prelazia para diocese ocorreu durante a gestão de Dom Moacyr Grechi, que atuou fortemente em causas sociais e na defesa de indígenas e trabalhadores entre 1973 e 1998.
A longa gestão de Dom Joaquín e a transição O antecessor de Dom Antônio, Dom Joaquín Pertíñez, esteve à frente da diocese por 27 anos, período marcado pela ampliação de obras sociais, formação de novos padres e criação de escolas diaconais. A saída do religioso aconteceu após um pedido de renúncia por motivos de saúde, aceito pelo Papa Leão XIV.
Após atuar como administrador apostólico durante o período de transição, Dom Antônio Fontinele foi oficialmente nomeado pelo Vaticano em setembro. Natural do Ceará e com passagens ministeriais em Rondônia e no Amazonas, o novo bispo assume a missão pastoral em solo acreano com o apoio e reconhecimento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A importância da catedral na cerimônia O templo localizado no Centro de Rio Branco foi escolhido por representar a unidade e a centralidade da administração eclesiástica estadual, funcionando como a principal igreja-mãe da região.
“A catedral tem um simbolismo muito importante no conjunto da diocese. Para a gente fazer uma comparação, um corpo sem uma cabeça é uma coisa anormal. Uma diocese sem uma catedral é uma coisa acéfala. Então não tem cabeça. O bispo representa a cabeça da diocese. É simbólico e natural que a posse, o dia que ele toma possessão dessa igreja particular, seja na igreja catedral”, explicou o padre Manoel, reitor da catedral.
Para garantir a participação da comunidade, a organização do evento estruturou telões e tendas na área externa, reunindo clérigos, seminaristas e fiéis em um momento festivo para a comunidade católica local.
“Todos os padres, freiras, seminaristas, diáconos, paróquias, comunidades [estarão presentes]. Então será um dia festivo. Será montado um grande telão lá fora, junto às tendas, com uma estrutura para acolher os fiéis”, afirmou o padre.






