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Médica conquista vaga em maternidade onde a mãe trabalha há 23 anos

Médica passa a atender na maternidade onde a mãe trabalha como auxiliar de serviços gerais há 23 anos: 'Muito emocionante'

A rotina de uma maternidade pública no Recife ganhou um significado bastante particular quando a obstetra Patrícia Lima tomou posse como servidora da Secretaria de Saúde municipal. Formada pela Universidade de Pernambuco (UPE), ela passou a dar expediente na Policlínica e Maternidade Professor Arnaldo Marques, localizada no bairro do Ibura, na Zona Sul da capital pernambucana. O detalhe que comoveu colegas e pacientes é que o local é o mesmo onde sua mãe, Edilene, atua como auxiliar de serviços gerais há 23 anos.

Como tudo começou na unidade de saúde A trajetória da profissional com a maternidade é antiga. Antes mesmo de ingressar na faculdade como a primeira pessoa da família a alcançar o ensino superior, Patrícia frequentava o espaço para receber vacinas, além de passar por consultas médicas e atendimento odontológico. A vaga na rede municipal foi conquistada por meio de um concurso público realizado em 2024.

“Eu tinha feito esse concurso em 2024 e já sabia que era para as maternidades do Recife. […] Quando foi no sábado, eu recebi a ligação da área de saúde para escolher a lotação e ela falou que tinha vaga para lá. Prontamente eu escolhi a maternidade porque é onde minha mãe trabalha há 23 anos e criou eu e minha irmã a partir dela, então é muito simbólico estar voltando para lá”, contou Patrícia.

O esforço familiar pela educação Antes de conseguir a estabilidade na unidade de saúde, Edilene trabalhava com serviços de faxina. Mesmo tendo concluído apenas o equivalente ao atual 7º ano do Ensino Fundamental, ela sempre priorizou e incentivou os estudos das filhas, sem exigir que trabalhassem na infância ou adolescência para ajudar nas despesas de casa.

“Minha mãe só fez até a sexta série [o equivalente, atualmente, ao 7º ano do Ensino Fundamental]. Então, ela não foi uma mãe, assim, de ensinar a gente a estudar, mas ela sempre incentivou que a gente seguisse nossos sonhos, nunca exigiu da gente de trabalhar, sempre”, disse Patrícia.

O primeiro expediente juntas e a escolha pela medicina Dois dias após a posse, mãe e filha dividiram o ambiente profissional pela primeira vez, revivendo memórias com funcionários antigos que viram a médica crescer. O desejo pela profissão, aliás, surgiu ainda na infância, quando ela costumava afirmar que trabalharia em hospitais ao passar em frente aos prédios de saúde.

“Foi um sonho que nasceu desde a infância. E eu não sei explicar. Não foi por orientação ou incentivo de ninguém, porque eu não sabia nem como entrar no vestibular, porque eu fui a primeira da minha família. Mais mainha dizia que, desde pequena, quando eu passava na frente dos hospitais, eu dizia a ela que queria ser médica. E, quando eu passava na frente da Arnaldo Marques, eu dizia ‘vou trabalhar aí'”, disse.

A especialização em ginecologia e obstetrícia também carrega forte influência das referências femininas de sua criação, incluindo uma tia que exerceu papel fundamental em sua vida. Atualmente, além de manter vínculos majoritariamente com o Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de retribuição pela formação recebida, a médica celebra o momento histórico ao lado da mãe.

“Nesse primeiro dia, muita gente veio falar com a gente, relembrando, emocionada. E, para a gente também foi muito emocionante, porque é isso, né? Estar trabalhando ao lado da minha mãe. A gente tem muito orgulho da nossa história, de onde a nossa veio, de onde chegamos. […] Ela estava assim, respirando fundo. E a gente passando assim, de mãos dadas no hospital, ela fez um almocinho, levou para mim”, concluiu a obstetra.

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