O cultivo da macadâmia em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, transformou-se em uma importante fonte de renda para famílias produtoras, movimentando uma cadeia que une tradição, tecnologia e inovação gastronômica com a fabricação de doces, biscoitos e gelatos.
Origem do cultivo na década de 1980
A introdução da macadâmia na região ocorreu na década de 1980, período de profundas transformações na agricultura capixaba, quando os agricultores buscavam novas alternativas para diversificar as lavouras.
Segundo o produtor Eliseu Bonomo, o governo estadual participou desse processo com subsídios e distribuição de mudas. “Com a década de 1980, houve uma grande mudança no Espírito Santo, especialmente no Norte do estado, na agricultura. Antes, era muita agricultura familiar e ali foi um período de transformação, onde começaram a chegar novas culturas, novas atividades e muitos foram em busca de novas alternativas agrícolas. E, nesse buscar de novas alternativas, a macadâmia também foi uma delas”, contou.
Mecanização e redução de custos na colheita
Com o passar dos anos, desafios no setor levaram muitos agricultores a abandonar a atividade, mas a família Bonomo manteve a tradição viva entre gerações. Ítalo Bonomo deu continuidade ao trabalho do pai e investiu em tecnologia para otimizar a colheita, que é uma das etapas mais trabalhosas.
Há três anos, a propriedade adquiriu equipamentos capazes de recolher do chão as nozes caídas das árvores. “Isso fez com que o nosso trabalho demandasse menos pessoas e também reduziu o custo e ganhou um pouco em qualidade também do serviço. Vem ajudando a gente nesse processo de colheita, que é um processo que demanda bastante pessoas”, explicou Ítalo.
A propriedade possui cerca de 100 hectares dedicados à cultura, contando com 15 funcionários fixos ao longo do ano e dobrando esse contingente para 30 trabalhadores durante a colheita. “Hoje, para trabalhar nessa área de aproximadamente 100 hectares, nós temos 15 funcionários fixos que trabalham o ano todo e, no período de colheita, esse número de funcionários dobra”, afirmou.
Diversificação com doces e gelatos
Além da comercialização da noz in natura ou torrada, os agricultores passaram a agregar valor ao produto transformando a amêndoa em itens culinários refinados. Na fazenda administrada por Ana Paula, a macadâmia é a base para a produção de doces, biscoitos e gelatos, iniciativa que surgiu com sua tia em um curso do Empretec.
“Tudo começou com a minha tia fazendo curso do Empretec, em que ela tinha que desenvolver um produto. Como ela também é produtora de macadâmia, ela criou o doce de macadâmia. E eu, em seguida, assim que assumi a administração aqui da fazenda, falei assim: ‘Vou colocar em prática e produzir esse doce para o Brasil e quem sabe para o mundo todo'”, contou Ana Paula. “A macadâmia é processada, então a gente pega o produto e traz aqui para a mesa para fazer essas delícias, que não é só o doce. Aqui na fazenda nós fazemos o doce, o biscoito e o gelato”, explicou.
Posição de destaque no cenário nacional e internacional
O Espírito Santo figura como o segundo maior produtor de macadâmia do país, ficando atrás apenas de São Paulo. “São Paulo é o maior produtor do Brasil, e nós somos o segundo maior. E aqui, especialmente aqui no Norte do estado, em São Mateus, a gente tem esse trabalho e, através da cooperativa, conseguiu manter e se organizar com esse trabalho que a gente acha muito importante para nós, produtores de macadâmia”, destacou Eliseu Bonomo.
Fundada em 1999, a cooperativa local reúne os produtores para compartilhar conhecimentos e organizar o beneficiamento. A estrutura recebe anualmente cerca de 1.600 toneladas da noz. Após o processamento, parte da produção abastece o mercado interno, enquanto o restante é exportado para os Estados Unidos, países da Europa e da América do Sul, consolidando o sucesso da macadâmia capixaba no exterior.






