Confrontos entre manifestantes e forças de segurança marcaram os protestos realizados neste sábado (31.out.2026) em Paris, Lyon, Toulouse e Marselha, na França. Os atos foram motivados pela insatisfação com o custo de vida e a sobrecarga dos serviços públicos. A adesão foi menor do que nas duas semanas anteriores.
Dados oficiais de participação popular
Segundo a agência de noticias Reuters, citando dados do Ministério do Interior francês, 320 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país, sendo 70 mil em Paris. O número representa uma queda em relação aos 410 mil manifestantes registrados em 24 de outubro e aos 550 mil de 17 de outubro.
A atuação das forças de segurança A polícia dispersou grupos com gás lacrimogêneo em Lyon e Toulouse. Em Marselha, tensões também marcaram o encerramento de protestos não autorizados. A polícia de choque foi acionada para controlar grupos que tentavam se separar das marchas em diversas cidades.
O Ministério do Interior afirmou em comunicado que “elementos radicais” com intenções de vandalismo e saques tentaram se destacar das manifestações em Bordéus, Toulouse, Lyon e Marselha, mas foram contidos pelas forças de segurança. As autoridades também encontraram, em verificações em estações ferroviárias e estradas, pessoas carregando objetos que poderiam ser utilizados como armas.
Contexto político e crise econômica
As marchas reuniram estudantes, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos, unidos por contestações sobre preços de combustíveis, inflação e a gestão do presidente Emmanuel Macron (Renascimento, centro). O líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, cuja popularidade cresceu nas semanas anteriores às eleições presidenciais de abril, esteve à frente da manifestação em Paris.
Os protestos foram realizados em um momento de fragilidade para o governo Macron. Na véspera, a agência de classificação de risco Fitch revisou para negativa a perspectiva da dívida francesa, ampliando as preocupações dos investidores. Com a dívida pública próxima a 120% do PIB (Produto Interno Bruto) e os custos de empréstimo em alta, o governo enfrenta pressão crescente para conter gastos, o que limita sua margem para oferecer novas concessões aos manifestantes.
Prejuízos financeiros e impacto internacional
Os distúrbios das semanas anteriores causaram prejuízos estimados pela Câmara de Comércio em mais de 1 bilhão de euros para o varejo. Outras projeções estimam para o dobro desse valor, considerando danos não segurados e perda de receita. Entre os alvos de saques em protestos anteriores estavam lojas de marcas de luxo como Hermès, Louis Vuitton e Burberry.
Os protestos ganharam força no final de setembro, quando o governo minoritário de Macron iniciou as negociações sobre o orçamento de 2027. Estudantes insatisfeitos com a deterioração das escolas, salas superlotadas e um sistema de admissão universitária considerado injusto foram os primeiros a ir às ruas, logo seguidos por sindicatos e pelo movimento dos Coletes Amarelos.
As manifestações na França inspiraram protestos liderados pela chamada “Geração Z” em outros países europeus. Atos foram realizados em diversas cidades da Alemanha e também na Itália.






