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Embrapa cria galinheiro para proteger aves indígenas e prevenir doenças

Embrapa cria galinheiro para prevenir doenças em comunidades indígenas

A Embrapa Pantanal desenvolveu um modelo inovador de instalação para a criação de galinhas de quintal, acompanhado de um conjunto de procedimentos sanitários voltados para a agricultura familiar e para as comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Com foco na melhoria da qualidade dos ovos e na ampliação da segurança alimentar, a iniciativa também introduz fórmulas de rações alternativas feitas à base de moringa e mandioca, capazes de substituir até metade do milho e do farelo de soja tradicionalmente utilizados na dieta das aves.

Estruturas protegidas e financiamento

Todas as diretrizes constam no Comunicado Técnico 125, publicado em 2026. O material detalha um sistema de criação dimensionado para até 100 poedeiras, projetado especificamente para minimizar o contato com animais silvestres e otimizar o manejo sanitário, com um custo estimado de implantação de R$ 18.000.

O projeto foi viabilizado por recursos da Fundect, permitindo a aquisição de materiais para quatro módulos distintos. Um deles, de caráter coletivo, já foi finalizado na Terra Indígena Taunay-Ipegue utilizando a própria mão de obra da comunidade, enquanto os outros três módulos individuais seguem em fase de conclusão.

Parceria com o povo Terena e foco na saúde única

A ação é fruto de uma cooperação entre a Agraer, a Embrapa Pantanal e os indígenas terenas de Aquidauana, município sul-mato-grossense onde o grupo mantém o hábito de criar aves e utilizar suas penas no artesanato tradicional. A pesquisadora Adriana Araújo aponta que o projeto capacita os criadores locais com instruções sobre profilaxia, qualidade dos ovos e construção de cercas protetivas.

Segundo a pesquisadora Raquel Juliano, a proposta vai além da obtenção de alimentos nutritivos, priorizando o bem-estar animal e a sustentabilidade nos quintais das aldeias:

“A integração entre a saúde humana, animal e ambiental constitui a base do conceito de Saúde Única e contribui para proteger as comunidades tradicionais, além de fortalecer a vigilância em saúde”, destaca.

Alimentação alternativa e autonomia comunitária

As atividades contam de forma marcante com a participação de mulheres da Aldeia Córrego Segredo, buscando reduzir a mortalidade dos animais e impulsionar a produção de ovos para consumo e geração de renda. Paralelamente, o emprego de subprodutos locais na dieta das aves visa cortar gastos com insumos externos.

“O foco é aumentar a oferta de alimentos de qualidade na agricultura familiar com aves resistentes às condições locais. Estudos vêm sendo desenvolvidos para utilizar subprodutos locais, como o processamento de mandioca, para engorda e postura”, explica Araújo.

A expectativa é que a transição gradual para os ingredientes alternativos comece em 2027, após o cultivo das plantas nas próprias aldeias e a devida avaliação dos resultados.

Capacitação digital e prevenção contra a gripe aviária

Como parte das ações formativas, as pesquisadoras ministraram um curso online voltado a extensionistas rurais da região, abordando temas como biossegurança, marcos regulatórios e bem-estar animal. O trabalho também é realizado em conjunto com a Semadesc para blindar os territórios tradicionais. “A ação visa à educação ambiental para beneficiar diretamente o público da agricultura familiar e dos territórios indígenas com o aumento da segurança em saúde durante o surgimento de quadros como o de influenza aviária isolados no Mato Grosso do Sul”, detalha a pesquisadora.

Em parceria com a Iagro, o programa incorpora treinamentos para identificar sintomas respiratórios e neurológicos nas aves, prevenindo surtos de gripe aviária. A zootecnista da Agraer Thainara Rocha reforça a urgência do cuidado preventivo:

“A iniciativa atende especialmente à agricultura familiar ao promover capacitações e orientações sobre protocolos de biossegurança para evitar que o vírus atinja pequenas criações”, aponta, alertando que o sacrifício de plantéis infectados acarreta perdas econômicas dramáticas para os criadores.

Nas aldeias, as oficinas abrangeram ainda o uso de equipamentos de proteção individual, controle de acesso e o manejo adequado. Os jovens locais também passaram a ter acesso ao SISS-Geo, ferramenta gratuita da Fiocruz voltada ao registro e monitoramento de animais silvestres, integrando a comunidade na vigilância epidemiológica nacional.

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