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Mercado financeiro fecha semana sangrenta com alta do dólar e queda na bolsa

Em última sessão de ‘semana sangrenta’, dólar volta a subir e bolsa cai

O mercado financeiro brasileiro encerra nesta sexta-feira, 30, a chamada semana sangrenta, marcada pelo pessimismo dos principais índices após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No início da tarde, a cotação da moeda norte-americana operava novamente em alta, enquanto a B3 registrava perdas significativas.

Cautela com cenário político e dados econômicos Os investidores mantêm uma postura defensiva diante dos desdobramentos políticos, que incluem a vitória de Lula no segundo turno e a ida do senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. No âmbito interno, o mercado também avalia os números do desemprego, que vieram em linha com as projeções, e o balanço financeiro trimestral da Vale. Externamente, o foco se volta para Wall Street, onde as principais praças norte-americanas operavam em forte baixa.

Comportamento do câmbio e desempenho da moeda Por volta do meio-feira, horário de Brasília, o dólar registrava valorização de 0,32%, cotado a R$ 5,405. A divisa oscilou entre a mínima de R$ 5,387 e a máxima de R$ 5,45 durante a sessão. Na véspera, o encerramento ocorreu em alta de 0,89%, a R$ 5,387. Com esses números, a moeda acumula avanço de 4,12% em outubro e baixa de 1,85% em 2026.

Queda expressiva do Ibovespa O principal indicador da bolsa brasileira operava no vermelho no último pregão da semana. Próximo das 12h20, o índice recuava 1,2%, situando-se aos 167.164,06 pontos, com máxima de 169.184,59 pontos e mínima de 167.007,56 pontos. No dia anterior, o fechamento havia sido aos 169,1 mil pontos, queda de 1,06%. No acumulado de outubro, a bolsa registra baixa de 9,2%, mas mantém alta de 5% no ano.

Análise do cenário de aversão ao risco Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o mercado financeiro continua refletindo “um cenário de forte aversão ao risco, impactando negativamente o principal índice da bolsa brasileira”. 

“Esse movimento de retração é impulsionado, principalmente, pelas incertezas domésticas em torno da política fiscal e da trajetória dos gastos públicos no período pós-eleitoral, levando os investidores a adotarem uma postura bastante cautelosa enquanto aguardam definições mais claras sobre a condução da economia”, afirma. 

A especialista destaca que a busca por proteção impulsiona o dólar comercial. “Esse avanço do câmbio evidencia um movimento de saída de risco, refletindo não apenas as preocupações com o futuro das contas públicas no Brasil, mas também a influência direta de um cenário macroeconômico global que aponta para um aperto monetário prolongado”, analisa. 

“No exterior, o clima em Wall Street acompanhou o tom pessimista, com as principais bolsas dos EUA operando no campo negativo. Índices como Dow Jones, S&P 500 e o Nasdaq registraram quedas, pressionados sobretudo pelo recuo das ações do setor de tecnologia”, explica Nossig. 

“O mau humor dos mercados norte-americanos foi acentuado pela divulgação de novos indicadores econômicos do país, incluindo a forte expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre e a aceleração do índice de inflação do consumo (PCE). Esses dados mais aquecidos reforçam as expectativas dos investidores de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) precisará retomar a elevação das taxas de juros nas próximas reuniões”, conclui.

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