O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos a respeito da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) rumo aos Estados Unidos. A representação diplomática argentina confirmou que o parlamentar utilizou um avião particular que decolou do território argentino na última terça-feira (27).
Reunião em Brasília e posicionamento oficial
Durante o encontro realizado na sede do Itamaraty, em Brasília, o chefe do Departamento do Mercosul, João Marcelo Galvão de Queiroz, exigiu informações sobre a operação de fuga. Diplomatas presentes relataram que a diplomata estrangeira assumiu o compromisso de repassar o teor da conversa ao governo de Javier Milei. O entendimento interno no governo brasileiro aponta que o caso é tratado como procedimento de praxe, sem previsão imediata de novos desdobramentos diplomáticos, embora a situação siga sob monitoramento conforme o andamento das investigações.
Estratégia do governo federal
Nos bastidores, a cúpula do governo optou por encerrar os debates públicos sobre o episódio e virar a página. Interlocutores recomendaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que evite citar o parlamentar, concentre os esforços na gestão de seu quarto mandato e reforce que o caso do senador tramita exclusivamente no âmbito do Poder Judiciário.
A rota da fuga internacional
Flávio Bolsonaro desembarcou em solo norte-americano na companhia da esposa e das duas filhas. A viagem teve início na noite de terça-feira (27), quando o grupo cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, ligando Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Segundo autoridades migratórias argentinas, a passagem ocorreu às 22h50 com documentos válidos e sem restrições legais naquele momento. Cerca de quarenta minutos depois, a família embarcou em um modelo Gulfstream G400 operado pela empresa Baires Fly. A aeronave evitou o espaço aéreo brasileiro, passando por Paraguai, Bolívia e Peru, antes de fazer uma escala rápida em Guayaquil, no Equador, e pousar no Aeroporto Executivo de Fort Lauderdale, na Flórida.
Investigação e passaporte cancelado
A saída do país ocorreu logo após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o parlamentar entregasse seus documentos de viagem à Polícia Federal. Flávio e o advogado Willer Tomaz são alvos de apuração por suposta lavagem de dinheiro envolvendo bets. Autoridades norte-americanas concederam visto sob a categoria “DT”, destinada a estadias temporárias ligadas a motivos humanitários, embora registros indiquem o uso de um passaporte diplomático previamente cancelado.
Alerta da Polícia Federal
A Polícia Federal já havia apontado riscos concretos de fuga ao solicitar a retenção dos documentos de viagem do senador. Entre os fatores destacados estavam o poder econômico, estruturas no exterior e declarações públicas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro sugerindo a saída do irmão do país.
O pedido da PF citou uma declaração de Eduardo Bolsonaro em que ele defendeu que o irmão deixasse o país caso fosse derrotado na disputa pelo Palácio do Planalto.
“Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo”, disseram os investigadores.






