O Papa Leão 14 solicitou uma cédula de votação por correio para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conforme revelado pelo jornal Chicago Sun-Times em 30 de outubro de 2026. Caso o voto seja efetivado, o pontífice fará história ao se tornar o primeiro líder da Igreja Católica em exercício a participar de um pleito norte-americano e o primeiro papa a votar em qualquer eleição secular enquanto ocupa o cargo.
Registro eleitoral e regras para votação no exterior
A solicitação da cédula ocorreu em 3 de outubro de 2026, de acordo com um funcionário do cartório eleitoral do Condado de Will, em Illinois, citado pela imprensa local. O papa está registrado em um endereço em New Lenox, Illinois, onde reside seu irmão mais velho, John Prevost. Até o final de outubro, o documento preenchido ainda não havia retornado ao cartório, e não havia confirmação sobre o envio da correspondência.
Embora resida na Cidade do Vaticano, o papa continua apto a votar porque as leis de Illinois permitem o voto por correspondência sem exigência de justificativa. Além disso, a legislação federal dos Estados Unidos autoriza cidadãos americanos elegíveis que moram no exterior a participarem de eleições por diferentes vias, incluindo o correio. O pleito de novembro define vagas no Senado, o governo estadual de Illinois e outros cargos locais.
Histórico político e divergências com Donald Trump
Antes de assumir o papado no ano passado, Leão 14 já havia votado em diversas ocasiões nos Estados Unidos. Dados do Condado de Will apontam que ele votou à distância em 2024 e participou de várias primárias democratas e republicanas ao longo dos anos anteriores.
A movimentação eleitoral ocorre em meio a um cenário de forte tensão política entre o Vaticano e o governo do presidente Donald Trump. Os dois líderes têm trocado críticas públicas sobre imigração e política externa, com foco especial na entrada dos Estados Unidos em conflito contra o Irã. Após o início das hostilidades, o pontífice alertou que a “espiral de violência” poderia resultar em “um abismo intransponível”.
O líder católico também criticou duramente uma postagem de Trump na rede social Truth Social na qual o presidente advertia que “toda uma civilização morrerá esta noite”. O papa classificou os comentários como “verdadeiramente inaceitáveis” e reforçou que “todos os ataques à infraestrutura civil são contra o direito internacional”.
Em resposta, o presidente norte-americano recorreu à mesma plataforma para atacar o pontífice, chamando-o de “FRACO no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. Trump ainda escreveu que Leão deveria ser “grato” e alegou, sem apresentar evidências, que sem sua presença na Casa Branca “Leão não estaria no Vaticano”. Diante das pressões, o papa declarou: “Não tenho medo do governo Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão.”






