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Estudante de medicina que viralizou rezando o terço mantém rotina na USP

Estudante piauiense que viralizou por rezar terço todo dia ao estudar para o Enem mantém rotina de fé na USP: 'mais que nunca'

O estudante de medicina Gustavo Medeiros, de 18 anos, que alcançou grande repercussão nacional ao conciliar a preparação para os vestibulares com a reza diária do terço, continua firme em suas crenças religiosas mesmo após iniciar a graduação na Universidade de São Paulo (USP), onde atualmente cursa o segundo período.

Trajetória e aprovações de peso No início do ano, o jovem foi aprovado em medicina em três instituições públicas de destaque: na USP, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Desafios da mudança para o interior paulista A principal dificuldade enfrentada pelo universitário tem sido a adaptação a Ribeirão Preto (SP), cidade situada a mais de 1,8 mil quilômetros de Teresina, sua terra natal. Morando em um pensionato que abriga cerca de 20 pessoas e longe da família, ele precisou reestruturar totalmente o seu cotidiano.

“Tive que reinventar a minha rotina. Não tenho mais um carro pra me levar, as aulas têm horário diferente, não tem mais aquele horário rígido, as pessoas têm uma cultura diferente. Você tem que ser muito flexível em relação à rotina pra você ir se adequando e organizando os horários que você tem pra estudar, porque é muita coisa”, afirmou Gustavo.

Pesquisa científica no primeiro ano Mesmo no início da formação acadêmica, o piauiense já demonstra destaque na área científica. Em agosto, ele participou do Congresso Brasileiro de Cardiogeriatria, realizado em São Paulo, onde apresentou um trabalho inédito sobre a correlação entre infarto do miocárdio e baixas temperaturas, inspirado pelas características climáticas do estado em comparação ao calor do Piauí.

“A temperatura aqui varia bastante. […] Durante o inverno, eu tava sentindo muito frio. Eu comecei a pensar que isso pode representar um risco de infarto. Pensei ‘cara, será que tem sentido isso’. Aí, eu fui pesquisar um pouco, fiz um resumo e submeti”, afirmou o jovem.

Nova dinâmica de estudos e incertezas sobre a especialidade Enquanto na fase de vestibular o estudante dedicava cerca de seis horas diárias aos livros, a rotina acadêmica reduziu esse tempo para até três horas extraclasse por dia, devido à alta carga horária da graduação.

“Às vezes eu tenho um dia todo cheio de aula e não dá nem pra estudar direito”, relatou o jovem. Ele ainda pontua que é cedo para definir qual área médica seguirá: “Está muito no começo, na parte básica. A gente precisa ver todos os sistemas do corpo humano, então, ainda não tenho certeza”, disse o estudante.

A importância da espiritualidade na visão do universitário Conhecido por dividir sua rotina de devoção católica na época dos exames em 2025, o jovem reforça que a espiritualidade continua sendo o seu alicerce na faculdade.

“Alguns entendem que a fé deve ser deixada de lado em momentos de estudo mais intenso, mas digo que isso não é verdade. Mais do que nunca, é a fé que vai te sustentar e botar nos eixos”, ressaltou ao g1.

Prática religiosa adaptada ao campus Atualmente, além de frequentar as missas dominicais em uma paróquia local de Ribeirão Preto e receber convites para integrar a Opus Dei — prelazia que promove a vivência cristã nas atividades cotidianas —, ele encontrou uma forma criativa de não abandonar o terço.

“Eu rezava todo dia e eu continuo rezando. Eu faço umas caminhadas pela universidade, de um lugar pra outro, e demoro 10, 15 minutos caminhando. É um tempo que você consegue rezar uma parte do terço, você para e depois continua. Geralmente eu chego em casa com o terço já rezado, ou quase terminando, então, dá pra conciliar isso muito bem”, disse Gustavo.

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