O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou à Polícia Federal ter prometido apartamentos ao ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, como contrapartida pelas operações financeiras entre as instituições.
Contexto da investigação da PF De acordo com o empresário, os imóveis seriam utilizados por Costa caso ele assumisse uma função executiva em um conglomerado formado pelos 2 bancos. O depoimento ocorreu em 15 de outubro de 2026, com o vídeo sendo tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta 5ª feira (29.out.2026).
“Eu não prometi imóvel para ele. Prometi moradia como parte do benefício de ser gestor do banco”, afirmou Vorcaro ao ser questionado sobre conversas relacionadas à disponibilização de apartamentos em Brasília e São Paulo.
Esquema de créditos e propinas Conforme apontado pelas investigações da PF, Vorcaro teria negociado o pagamento de propinas ao executivo. Em troca, Costa teria sido responsável por autorizar a compra de R$ 12 bilhões em “créditos podres” do Master pelo BRB. Há indícios de um sistema de pagamento de propina e lavagem de dinheiro a partir da compra de 6 imóveis de luxo em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões.
O empresário declarou, então, que os imóveis foram discutidos no contexto de uma reorganização societária entre o Master e o BRB, não como pagamento por decisões tomadas à frente do banco público. A proposta, segundo Vorcaro, era que Costa morasse em São Paulo caso assumisse uma posição de liderança no conglomerado financeiro que seria formado pela fusão das duas instituições.
“Eu disse que a gente fez uma proposta de equipe de gestão para o Banco Central e como proposta para o Paulo, caso a fusão acontecesse e ele fosse assumir esse lugar, eu fiquei com a responsabilidade de colocar 2 imóveis para ele morar. Em São Paulo. Ele teria que mudar para São Paulo”, afirmou Vorcaro durante o depoimento.
Detalhes da fusão e desfecho Vorcaro explicou que o projeto estabelecia a criação de uma estrutura de controle prudencial unificada, na qual Master e BRB continuariam operando de forma independente em seus respectivos segmentos, mas passariam a se comportar como um conglomerado único perante o Banco Central. Ele afirmou que pretendia deixar a presidência do Master e que Costa poderia assumir o comando da nova organização.
Segundo ele, uma eventual compra dos apartamentos poderia vir posteriormente, vinculada a bônus e à remuneração associados ao novo cargo. Vorcaro acrescentou que a reorganização societária não chegou a ser concluída e que Costa nunca chegou a morar nos imóveis. A defesa de Paulo Henrique Costa foi procurada para comentar as declarações, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.






