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Defesa de Vorcaro aponta alteração em celular apreendido pela PF

Defesa de Vorcaro diz que celular teve alterações na PF

A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, protocolou no Supremo Tribunal Federal um documento questionando a confiabilidade das provas digitais obtidas contra o empresário. Segundo os advogados, centenas de arquivos armazenados no telefone do executivo foram criados ou modificados após a apreensão do dispositivo pela Polícia Federal, levantando dúvidas sobre a custódia do material.

Movimentações suspeitas durante a madrugada O relatório técnico anexado ao processo indica que o telefone apresentou intensa atividade nas primeiras horas após ser recolhido. Entre a noite de 17 e a madrugada de 18 de novembro de 2025 — data em que o fundador do Banco Master foi preso pela primeira vez —, a perícia contratada registrou 207 eventos de tela, 33 acionamentos da câmera frontal por reconhecimento facial e 3 conexões via cabo USB.

A cronologia detalhada pelo laudo aponta que, logo após uma dessas conexões físicas, o banco de dados do WhatsApp sofreu modificações. Além disso, credenciais de acesso e senhas teriam sido geradas ou alteradas entre 2h03 e 2h25 da manhã, período em que o equipamento já estava sob a responsabilidade dos órgãos estatais.

“O banco de dados do WhatsApp foi modificado às 1h48min14s, seis segundos depois de uma dessas conexões. Registros de senhas foram criados ou modificados entre 2h03 e 2h25. Nada disso consta do termo de apreensão. O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado”, afirmam os advogados.

Modificações em massa no dia seguinte O cenário apontado pelos profissionais contratados pela defesa mostra um volume ainda maior de alterações no dia posterior à diligência policial. Em 18 de novembro de 2025, 657 arquivos foram modificados — incluindo 59 bases de dados —, enquanto outros 436 itens foram gerados do zero, compreendendo 94 imagens e mais 5 bancos de dados.

Falhas na cadeia de custódia e ausência de códigos hash Os representantes legais de Vorcaro também denunciam falhas operacionais e documentais na preservação do item eletrônico. De acordo com a petição enviada à Suprema Corte, faltam dados essenciais como a identificação exata do telefone, o controle rigoroso dos lacres de segurança e trilhas de auditoria que permitam rastrear o manuseio entre a apreensão inicial e a extração técnica das informações.

Outro ponto crítico levantado pela equipe jurídica envolve a entrega de apenas um relatório consolidado pela corporação policial, desacompanhado dos arquivos primários e dos chamados códigos hash, elementos fundamentais para validar a autenticidade digital.

“A conclusão do perito não deixa margem a dúvida. Com os elementos disponibilizados, não é possível verificar a integralidade do conteúdo extraído, a sua correspondência com o relatório entregue, nem a origem e o alcance das alterações registradas entre a abordagem e a extração. Em outras palavras, a prova central da investigação não pode, hoje, ser submetida a uma verificação técnica elementar. […] Uma prova cuja integridade não pode ser verificada não pode sustentar acusação alguma”, diz a nota.

Pedidos ao Supremo Tribunal Federal Diante do cenário apresentado, a defesa solicita ao STF a preservação rigorosa dos dados originais por meio de registros técnicos auditáveis, além de acesso integral a toda a documentação relacionada à coleta do equipamento. Por fim, os advogados sustentam que “o material que o Estado apresenta como retrato fiel do aparelho carrega registros de modificação posteriores à própria extração, e não há nos autos uma linha de explicação técnica para isso”. A Polícia Federal foi procurada para comentar as alegações, mas não se manifestou até o momento.

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