A busca por uma xícara de café com aroma marcante, doçura natural e sabor equilibrado exige dedicação redobrada de agricultores no interior paulista. Na região da Nova Alta Paulista, o foco em cafés especiais tem impulsionado investimentos tanto no manejo das lavouras quanto no rigoroso preparo dos grãos.
Manejo e nutrição no campo O cultivo de grãos de alta qualidade demanda atenção desde os primeiros passos na lavoura. Em Osvaldo Cruz, o produtor Lucas Antônio Neves Benites relata que o trabalho exige monitoramento constante do solo.
“A produção do café de qualidade não é simples, começamos o manejo desde o início, trabalhamos com análise para entender as necessidades da planta, com isso fazemos as adubações corretas, atendendo a todas as necessidades da lavoura”, explicou.
Além da nutrição adequada, o controle de pragas como o bicho-mineiro é essencial para proteger a folhagem e assegurar o desenvolvimento saudável dos cafezais.
Cuidados cruciais na pós-colheita O esforço investido na plantação pode ser perdido se as etapas posteriores não forem executadas com precisão. A secagem inadequada e o armazenamento em ambientes inadequados representam riscos severos para o produto final.
“A secagem de maneira incorreta é um dos principais fatores. Deixar o café com camadas muito grossas no terreiro pode favorecer a fermentação”, afirmou Lucas.
Em Parapuã, o experiente produtor Santo Altrão reforça que a colheita precisa ser direcionada aos frutos que atingiram o estágio ideal de maturação, comparando o processo ao de uma fruta doce.
“Você vai ter prazer em chupar aquela manga. E o café é a mesma coisa: se você faz uma colheita seletiva, colhe os grãos cereja, que estão maduros, ele vai dar uma bebida mais suave, ele vai ter mais concentração de açúcar, vai aparecer nele mais o sabor”, comparou.
Santo também detalhou o planejamento temporal da cultura na região:
“A pré-colheita e a colheita são definitivas para você ter um café de boa qualidade. O ciclo do café, a florada, a lavoura depois de implantada, vem no final de setembro, outubro, dependendo da época da chuva”, explicou.
Microlotes e nanolotes Para evidenciar características singulares, a produção de especiais costuma ser fracionada. Conforme diretrizes do Sebrae-SP, microlotes correspondem a áreas específicas da fazenda, enquanto nanolotes representam recortes ainda mais restritos. Nas competições locais, a diferenciação ocorre pelo volume das amostras apresentadas.
“Na competição tivemos duas modalidades, o microlote, que compõe uma amostra de 180 kg e o nanolote, que foi a que eu ganhei, que é composta por uma amostra de 90 kg. O que diferencia uma da outra é a quantidade da amostra”, explicou Lucas.
Perfil sensorial único Nas avaliações sensoriais, especialistas examinam diversos atributos da bebida. Santo destaca a harmonia e o perfil característico encontrados na produção local.
“Não que a acidez não seja valorizada, ela tem que ter no café, mas tem que ter um equilíbrio. E não é um café tão licoroso, mas também não tão fraco, ele tem um corpo equilibrado, aquela persistência na sua boca, o gosto de café. E a doçura, acho que é fundamental, porque ele tem uma doçura mediana que faz com que você consiga tomar o café sem açúcar. Ele tem pouco amargor. Esse pouco amargor do café da Nova Alta Paulista é único”, expressou.
Reconhecimento e valorização regional O incentivo à atividade ganhou força por meio de eventos como o Concurso de Qualidade do Café Arábica da Nova Alta Paulista. A iniciativa visa projetar a Indicação Geográfica e destacar o potencial da região na entrega de cafés diferenciados. Com o avanço dessas práticas, a expectativa é que mais agricultores priorizem a excelência para fortalecer toda a cadeia produtiva local.






