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Professor é investigado após ameaçar aluna da UFRR por remoção em grupo

Professor é suspeito de ameaçar estudante da UFRR após ser removido de grupo no WhatsApp

Um professor da rede pública estadual de 40 anos é investigado pela Polícia Civil sob a suspeita de ameaçar agredir uma estudante indígena da Universidade Federal de Roraima (UFRR), localizada em Boa Vista. De acordo com a denúncia registrada pela vítima, que optou por não ter a identidade divulgada, as intimidações começaram após ela removê-lo de um grupo no aplicativo WhatsApp.

Origem do conflito no aplicativo

As divergências começaram em 26 de setembro, quando o educador passou a compartilhar publicações eleitorais em um espaço digital destinado exclusivamente a comunicados de interesse acadêmico. A jovem, que atuava como uma das administradoras, alertou que o conteúdo violava as diretrizes da comunidade e apagou as postagens em pelo menos três ocasiões.

Diante da insistência do homem, a aluna decidiu retirá-lo da conversa coletiva. Logo em seguida, ele passou a enviar mensagens privadas com xingamentos, ofensas relacionadas à função acadêmica dela e avisos de que conhecia sua rotina, ameaçando ir ao campus para confrontá-la e condicionando o encerramento das intimidações à sua reinclusão no grupo.

Escalada das intimidações e boletim de ocorrência

Cerca de três dias após o início da situação, a estudante tentou dialogar para esclarecer a exclusão e pedir o fim das ofensas. Na ocasião, o suspeito pediu desculpas, mas a tensão retornou em outubro, quando ele cobrou o retorno ao grupo e voltou a enviar áudios com ameaças, incluindo mensagens temporárias e xingamentos graves.

A estudante relatou que o homem a ofendeu nos áudios e a chamou de “put*” e “vagabunda”. Além disso, disse que a mataria “de porrada” por ser “muito arrogante”. A jovem bloqueou o contato, mas o investigado utilizou outro número para continuar as perseguições, o que a obrigou a alterar sua rotina por medo e a registrar um boletim de ocorrência por ameaça e injúria no Plantão Central II.

“Meu medo maior é esse [que ele cumpra as ameaças], porque querendo ou não, ele sabe onde eu estou, onde é o instituto. Aqui é acesso livre e entra quem quer na hora que quer”, disse a aluna.

Posicionamento dos citados e investigações

Procurado, o professor William Douglas de Souza Barbosa negou ter cometido ameaças e disse que não falou “qualquer palavra por mau intenção”. Disse ainda que havia ingerido bebida alcoólica e “aí gerou isso, mas jamais ameacei ela”.

Em nota oficial, a Polícia Civil informou que o caso foi repassado ao 2º Distrito Policial para dar continuidade às diligências necessárias, oitiva dos envolvidos e apuração da materialidade do crime.

Por sua vez, a UFRR comunicou que o Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena está ciente da situação, mas que não há registro de denúncia formal nos canais oficiais. A instituição esclareceu que o suspeito é egresso do curso de Licenciatura Intercultural — mesma formação da estudante — e não possui vínculo acadêmico atual com a universidade.

“Dessa forma, eventuais providências institucionais deverão considerar as competências e os limites de atuação da UFRR. A UFRR reafirma seu compromisso com o respeito aos povos indígenas e com a promoção de um ambiente universitário seguro e respeitoso”, ressaltou.

A Secretaria de Educação e Desporto (Seed), onde o docente está lotado, declarou que não há registros de reclamações nos sistemas internos, Processo Administrativo Disciplinar instaurado ou chamados na plataforma Fala.BR, mas reforçou que permanece à disposição para adotar as medidas cabíveis, “dentro de suas competências, caso os fatos sejam formalmente comunicados, garantindo a devida apuração”.

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