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Eleições no DF: segundo turno registra queda na abstenção e menos votos nulos

Eleições no DF: 2º turno na capital tem queda na abstenção, nos votos em branco e nos votos nulos

O Distrito Federal teve uma participação expressiva de eleitores no segundo turno das eleições de 2026, revertendo o cenário de abstenção recorde de 18,99% registrado na primeira etapa do pleito. Com o maior eleitorado da sua história, somando 2.253.132 pessoas aptas a votar, a capital federal confirmou a reeleição de Celina Leão (PP) para o governo local pelos próximos quatro anos.

Maior engajamento popular

Tanto a governadora reeleita quanto seu oponente na disputa estadual, Leandro Grass (PT), ampliaram o volume de sufrágios na segunda fase da votação, recebendo respectivamente 161.612 e 169.200 votos a mais na comparação com o primeiro turno. Para o cientista político e professor do Ibmec Brasília Leandro Gabiati, o maior comparecimento às urnas foi provocado pela mobilização do segundo turno.

“A polarização presidencial, combinada com a disputa pelo governo do DF, ampliou o interesse do eleitor e estimulou a atuação das campanhas. Com apenas dois candidatos por cargo, a percepção sobre as consequências do resultado tende a ficar mais clara, incentivando a participação”, explica o especialista.

Comportamento nas regiões administrativas

Os dados oficiais mostram que houve recuo nas abstenções e nos registros de nulos e brancos em todas as regiões administrativas. Sobradinho concentrou a maior taxa de abstenção, com 17,16%, índice ainda inferior à média geral do DF no início do pleito. Já Santa Maria liderou nos percentuais de votos brancos, alcançando 4,05%, e nulos, com 4,37%.

Na corrida presidencial, contudo, o cenário apresentou nuances diferentes. Enquanto as abstenções e os votos em branco recuaram — seguindo a tendência nacional —, o total de votos nulos na disputa pela presidência subiu de 1,81% para 2,20%. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a apuração local na liderança com 54,28% dos válidos, ao passo que Lula atingiu 45,72%.

Análise do cenário político local

O vice-diretor do Instituto de Ciências Políticas da UnB, Thiago Trindade, destaca que o Distrito Federal figurou entre os três estados onde Lula mais cresceu em votação percentual de um turno para o outro, avançando 7,61 pontos. Contudo, o impulso nacional não se converteu em palanque vitorioso para o candidato ao Palácio do Buriti.

“O Leandro Grass, para usar um jargão político, é o cara que foi para o sacrifício. Ele sabia que a chance de vitória era muito improvável […] A grande função da candidatura do Leandro Grass era puxar palanque, puxar a voto para a candidatura nacional”, diz Trindade.

O analista aponta ainda que o eleitorado brasiliense exibe traços mais conservadores, o que se reflete na dissociação entre a escolha para o Planalto e o governo estadual. Segundo ele, “na cabeça do eleitorado brasileiro, não há nenhum tipo de problema entre você votar no Lula para presidente e votar no candidato a governador que seja do lado oposto.”

Redução dos votos de protesto

A queda generalizada nos índices de abstenção e de votos brancos e nulos também é explicada pelo nível de atração que a reta final da disputa exerce sobre o cidadão. De acordo com Thiago Trindade, o engajamento bem-sucedido das equipes de campanha mitiga posturas de apatia ou revolta.

“O voto branco ou nulo, ele tende, ele indica duas coisas. Primeiro, uma posição de indecisão. Segundo, um voto de protesto, ou seja, o voto contra tudo o que está aí”, pontua.

O especialista conclui ressaltando que, “se a campanha eleitoral consegue de fato engajar e mobilizar as pessoas, […] Se a campanha eleitoral consegue ser bem-feita nesse sentido, a tendência é que haja uma redução do voto de protesto, que haja uma redução da abstenção.”

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