A derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocará fim a uma sequência de 24 anos ininterruptos em que Flávio Bolsonaro (PL) ocupou cargos públicos no Brasil. A partir de fevereiro de 2027, o político bolsonarista ficará sem mandato e também perderá o foro privilegiado, marcando uma reviravolta histórica em sua trajetória iniciada em 2003.
Trajetória política e derrota nas urnas
A trajetória eletiva de Flávio começou em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PPB, cargo que revalidou em 2006, 2010 e 2014. Em 2018, alcançou o Congresso Nacional ao vencer a disputa para o Senado Federal pelo PSL. Após tentar a Prefeitura do Rio em 2016 sem sucesso, ele sofreu agora sua segunda grande derrota eleitoral.
No segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Lula após a apuração totalizar 64,3 milhões de votos (51,79%) para o petista, contra 59,8 milhões de sufrágios (48,21%) obtidos pelo senador.
Impacto da perda do foro privilegiado
Com o encerramento de sua cadeira no Senado, Flávio voltará a poder ser investigado e processado pela primeira instância da justiça comum. No entanto, as investigações atuais que já correm no Supremo Tribunal Federal (STF) devem permanecer na corte máxima, conforme entendimento fixado pelo tribunal em 2025 sobre crimes praticados em razão das funções.
Atualmente, o político é alvo formal em duas frentes no STF. A primeira investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Reportagens revelaram que Flávio negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o repasse de R$ 130 milhões para o projeto, sendo R$ 61 milhões efetivamente pagos.
Em áudio revelado pelas apurações, o senador tratou do tema diretamente: “Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. […] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”.
A segunda investigação envolve o advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro. Documentos da Polícia Federal apontam que Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária ligada a Tomaz, o que daria ao parlamentar “acesso operacional relevante”. Ambos negam possuir negócios conjuntos.
Balanço do mandato no Senado
Durante seus anos no Senado, período que coincidiu em parte com a presidência de seu pai, Flávio presidiu a Comissão de Segurança Pública, embora tenha tido atuação discreta com apenas duas propostas transformadas em lei, nenhuma delas relacionada ao setor de segurança. Nesse mesmo intervalo, seu patrimônio declaratório passou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões.
Após o pleito, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comentou o resultado da disputa e elogiou a votação expressiva alcançada pelo colega parlamentar. “O Senado viu um de seus membros disputar a eleição num país dividido. Um colega senador disputou e teve 60 milhões de votos, e isso não é pouca coisa. Nosso reconhecimento incondicional à vontade do povo nas urnas”, declarou Alcolumbre.






