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Eleição presidencial brasileira termina com recorde histórico de votos para Lula

Marcha da apuração tem duas viradas e termina com a maior votação já registrada para um candidato à Presidência

A disputa presidencial brasileira entrou para a história com a maior votação já registrada para um candidato ao cargo, impulsionada por uma intensa marcha de apuração que contou com duas viradas dramáticas e maior engajamento do eleitorado nas urnas.

Cronologia da apuração e o momento da vitória

O encerramento da votação ocorreu às 19h, com a apuração completa sendo finalizada exatamente duas horas e quatro minutos depois. Inicialmente, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a ponta, mas Flávio Bolsonaro assumiu a liderança às 19h44. Após 40 minutos na frente, o candidato do PL voltou a ser ultrapassado por Lula às 20h24, momento em que o petista seguiu na liderança até a confirmação matemática da vitória.

Às 21h08, o resultado foi oficialmente consolidado:

“Nós temos agora a definição de presidente da República. Candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, reeleito presidente da República do Brasil com 51,74% dos votos. Candidato Lula vai governar o país por mais quatro anos, a quarta vez em que ele vai governar o país”.

Desempenho dos candidatos e números finais

Com 100% das urnas apuradas, Lula alcançou 64,2 milhões de votos, garantindo 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 59,8 milhões de votos, correspondentes a 48,21%. A diferença final entre os dois adversários foi de 4,4 milhões de votos, ou 3,58 pontos percentuais.

Na comparação com o primeiro turno, o petista angariou 10,3 milhões de votos a mais, ao passo que o adversário cresceu em 3,7 milhões. Uma das grandes surpresas analíticas foi o destino do eleitorado dos três candidatos eliminados da direita no primeiro turno — Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos —, que somaram 8,7 milhões de votos, mas não migraram integralmente para Flávio Bolsonaro, contrariando expectativas iniciais.

Dinâmica nos estados e o mapa eleitoral

Lula saiu vitorioso em 13 estados, enquanto Flávio Bolsonaro obteve maioria em outros 13 estados e no Distrito Federal. Contudo, o petista ampliou sua votação em todas as 27 unidades federativas em relação ao primeiro turno. Surpreendentemente, Flávio registrou queda no número absoluto de votos em seis estados: Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Tocantins e Maranhão.

O estado de Minas Gerais destacou-se como o único cenário de virada no segundo turno, onde Lula superou a desvantagem anterior para vencer com 50,43% dos votos. Com esse resultado, Minas Gerais e Amazonas preservam a tradição estatística de refletirem o resultado nacional em todas as disputas desde 1989. Em São Paulo, a vantagem de Flávio encolheu de 3,4 milhões para 2 milhões de sufrágios. Regionalmente, o petista cresceu 4,8 milhões de votos no Sudeste e 2,9 milhões no Nordeste.

Queda na abstenção e impacto estratégico

O aumento da participação popular foi crucial para o desfecho. A abstenção, que havia superado 33 milhões de eleitores no primeiro turno, recuou para 30 milhões no segundo, registrando o segundo menor índice para um segundo turno desde 2006. Simultaneamente, os votos brancos e nulos caíram de quase 6 milhões para 4,1 milhões.

Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, a estratégia de campanha baseada em forte presença digital e mobilização de rua foi determinante para atrair faixas específicas da população, como jovens de baixa renda, idosos e mulheres chefes de família em grandes centros urbanos.

“A mobilização eleitoral nas ruas e no campo digital, atrelada ao discurso do medo, encorajou o brasileiro a sair de casa para votar. Principalmente os idosos e os jovens de baixa renda. Também tem as mulheres, principalmente as que moram nas grandes periferias urbanas das grandes capitais e das grandes cidades brasileiras. É o eleitorado que define o voto mais próximo do dia da eleição, e era uma parcela do eleitorado também mais indecisa e mais sensível a temas concretos, do cotidiano dos brasileiros”, pontuou Murilo Medeiros.

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