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Lula reverte placar e vence em 211 municípios no segundo turno

Lula vira no 2º turno em 211 cidades; saiba em quais a vitória foi por apenas um voto de diferença

Descubra como Lula virou o jogo em 211 cidades no segundo turno, incluindo capitais importantes e disputas decididas por votações históricas. O mapa político brasileiro registrou um fenômeno expressivo de reviravoltas nas urnas durante a última disputa presidencial. O presidente Lula conseguiu reverter o resultado desfavorável do primeiro turno em 211 municípios espalhados por todas as regiões do país, alcançando margens impressionantes que variaram desde a diferença mínima até grandes centros urbanos. Disputas acirradas pelo país Casos emblemáticos chamaram a atenção pela exiguidade da vantagem. Em Altamira do Paraná, em São João do Pau d’Alho, no estado de São Paulo, e em Apiacá, no Espírito Santo, a virada ocorreu por uma diferença de apenas um único voto. No total, o país contabilizou 212 guinadas no segundo turno, sendo 211 a favor do atual presidente e uma registrada pelo candidato Flávio Bolsonaro no município goiano de Uirapuru. O envolvimento da sociedade civil Para o cientista político Miguel Lago, o comportamento do eleitorado demonstrou um dinamismo autônomo que dispensou diretrizes tradicionais de diretórios partidários ou gabinetes oficiais. “Se deve, sobretudo, ao caráter descentralizado dessa campanha de segundo turno, em que você vê, na realidade, que forças vivas da sociedade se mobilizaram em todos os cantos do Brasil. Então, a gente vê tanto em cidades pequenas do interior quanto em capitais essa virada acontecendo”, avalia o especialista. A conquista do Rio de Janeiro e o panorama regional A maior cidade a vivenciar essa reviravolta foi a capital fluminense. O território carioca, considerado o berço da atuação política da família Bolsonaro, havia dado a vitória a Flávio Bolsonaro no primeiro turno com quase 48% dos votos. Na etapa seguinte, contudo, Lula obteve 51% e adicionou mais de 370 mil eleitores ao seu total, abrindo uma vantagem de 113 mil votos sobre o adversário. “O PT não ganhava desde 2014 na cidade do Rio de Janeiro e isso é uma importante vitória, sobretudo… Então, desde que existe bolsonarismo, nunca o bolsonarismo havia sido derrotado na cidade do Rio de Janeiro”, afirma Miguel Lago. Além do Rio de Janeiro, Macapá configurou-se como a outra capital com inversão de resultado. Ao todo, 18 estados registraram esse movimento, com forte concentração nas regiões Sudeste e Sul. Minas Gerais liderou o ranking com 76 casos, seguida por São Paulo com 32, Paraná com 20 e Rio Grande do Sul com 19. Mobilização popular nas ruas A professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Luciana Veiga destaca que a reta final da disputa foi marcada por um ativismo espontâneo que tomou o espaço público e alterou a dinâmica da corrida eleitoral. “A gente viu uma campanha que saiu do gabinete de campanha, saiu da organização da campanha e ganhou as ruas. As pessoas comuns passaram a ser organizadores, mobilizadores. Nesse sentido, nessa reta final da campanha houve uma mobilização que há muito tempo não se via, pelo menos a partir desse eleitorado mais à esquerda. Porque é o eleitorado mais a direita já estava mais engajado, seja nas ruas, seja na na capilaridade digital, há algum tempo”, diz Luciana Veiga, professora da FGV. Com perfis demográficos e portes variados — indo de pequenas localidades até municípios com mais de 100 mil habitantes —, as viradas consolidaram a arquitetura da vitória histórica alcançada pelo chefe do Executivo federal.

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