O Ministério Público do Paraguai formalizou neste sábado, 7, a acusação contra o ex-presidente Santiago Peña por lesão de confiança e administração em benefício próprio, no âmbito das investigações sobre o Ueno Bank. Além disso, a promotoria requereu à Justiça a prisão preventiva do político, que havia sido destituído de suas funções pelo Senado na sexta-feira, 6.
Envolvimento do Banco Central
Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai, também foi alvo das mesmas acusações, acrescidas de falsidade em documento público. Os promotores igualmente solicitaram a prisão preventiva para ele. Conforme o jornal paraguaio ABC Color, os dois investigados prestaram depoimento neste sábado, mas preferiram permanecer em silêncio.
Na legislação paraguaia, o crime de lesão de confiança se configura quando o gestor de um patrimônio gera prejuízos a ele. A denúncia foi assinada pelo grupo de promotores composto por Elena Fiore, Christian Benítez, Silvia González Véster e Ruth Benítez.
Bloqueio de bens e investigações
Essa movimentação jurídica marca o início formal do procedimento aberto na quinta-feira, 5, pelo procurador-geral do Paraguai, Emiliano Rolón. A apuração teve origem em novas denúncias contra Peña e na expansão de outro inquérito iniciado em 2025.
Como desdobramento, o Ministério Público exigiu o congelamento de todos os bens imobiliários e veículos registrados em nome de Peña e de Carvallo. O pedido também abrange o rastreamento e o bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras por meio de ofícios enviados à Superintendência de Bancos e ao Instituto Nacional de Cooperativismo.
O processo tramita sob a responsabilidade do juiz Rodrigo Estigarribia, da vara especializada em crimes econômicos. O magistrado já havia determinado a prisão preventiva de antigos dirigentes da instituição financeira envolvidos no mesmo escândalo.
Situação de outros investigados
Antes de Peña, oito ex-membros da diretoria do Ueno Bank já haviam sido indiciados por conduta indevida durante uma situação de crise, lesão de confiança, tentativa de estelionato e falha na manutenção dos livros contábeis. O grupo inclui figuras como o ex-presidente do banco Juan Manuel Gustale e o ex-vice-presidente Federico Vázquez.
Dentre os suspeitos, os seis homens foram encaminhados ao Centro Nacional de Presos Provisórios, localizado no antigo presídio de Tacumbú, na capital Assunção. Já as duas mulheres do grupo cumprem a determinação em regime de prisão domiciliar monitoradas por tornozeleira eletrônica.
O colapso do Ueno Bank ocorreu devido à falta de solvência da instituição, o que bloqueou o acesso dos clientes aos saldos. O Banco Central do Paraguai divulgou neste sábado que 1,2 milhão de correntistas já recuperaram os valores retidos graças ao acionamento do fundo de garantia de depósitos.
Impeachment e contexto político
A crise financeira culminou na queda de Peña do poder. O Senado aprovou o seu impeachment por mau desempenho de funções somando 44 votos favoráveis durante um julgamento político, permitindo que o vice-presidente Pedro Alliana assumisse o comando do país no mesmo dia.
Antes mesmo da formalização da denúncia deste sábado, o ex-presidente já cumpria prisão domiciliar desde a véspera, por determinação do Ministério Público, embora negue veementemente a prática de qualquer irregularidade. Nas primeiras horas da madrugada deste sábado, ele foi transferido para o Regimento Escolta Presidencial, em Assunção, uma vez que as manifestações populares realizadas nas proximidades de sua residência ultrapassaram a capacidade do esquema de segurança local.






