A Meta decidiu recuar na aplicação de suas novas diretrizes comerciais voltadas à captação e exploração de dados de portais de notícias. A medida permitiria a utilização de reportagens e materiais informativos para o aprimoramento de ferramentas de inteligência artificial, a exemplo da Meta AI, mesmo sem a autorização prévia ou o licenciamento por parte dos veículos de imprensa.
Suspensão temporária e novas diretrizes
Em comunicado oficial, a dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp se pronunciou sobre o caso. “Recentemente, anunciamos a atualização dos Termos Comerciais da Meta, dos Termos do Catálogo de Produtos, dos Termos para Criação de Anúncios com Autoatendimento e dos Termos de IA Generativa para Criativo do Anúncio”, afirmou a empresa, que é dona do WhatsApp e das redes sociais Facebook e Instagram. A companhia acrescentou: “Essas atualizações estão pausadas e não entrarão em vigor em 20 de novembro de 2026. Seguimos em diálogo com as partes interessadas e compartilharemos novas informações assim que possível. Enquanto isso, nossos termos existentes permanecem em vigor.”
Derrota na Justiça brasileira e resistência internacional
O recuo da big tech acontece poucos dias após a empresa sofrer uma derrota nos tribunais brasileiros. A Justiça do Estado de São Paulo atendeu a um pedido conjunto e concedeu uma liminar favorável à Associação Nacional de Jornais, à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e à Associação Nacional de Editores de Revistas, bloqueando as exigências comerciais.
Com a determinação judicial, ficaram temporariamente vedadas a varredura e a utilização de produções jornalísticas das entidades filiadas, travando qualquer iniciativa voltada ao aperfeiçoamento de algoritmos generativos com esse material.
Pressão de editores e governos estrangeiros
Esta não é a primeira vez que a companhia posterga o cronograma inicial. A vigência estava marcada para 30 de outubro, mas precisou ser empurrada para 20 de novembro diante da forte oposição de companhias de mídia ao redor do planeta.
O porta-voz da Meta, Andy Stone, já havia indicado a possibilidade de postergar a medida em razão das reações do setor. “Temos ouvido o feedback dos editores sobre nossa proposta de atualização de anúncios e termos de negócios”, escreveu ele, em postagem no X. O executivo também pontuou: “Importamo-nos profundamente com nossos parceiros e não planejamos fazer alterações de política sem uma consulta completa com grupos e líderes da indústria.”
Fora do Brasil, a iniciativa também gerou atritos. Nos Estados Unidos, legisladores democratas e republicanos enviaram questionamentos severos à corporação. Na Noruega, uma liminar obtida por órgãos de imprensa locais travou o avanço da política. Já no Reino Unido, as autoridades locais iniciaram uma apuração formal por meio da Autoridade de Concorrência e Mercados, sob a acusação de imposição de condições abusivas a editores e anunciantes.






