A União Europeia determinou nesta sexta-feira (6) que o TikTok realize alterações profundas em seus fluxos de vídeos personalizados. De acordo com o bloco europeu, o sistema de recomendações pode prejudicar o bem-estar e a saúde mental dos usuários ao expô-los de forma repetida a materiais com impactos negativos.
Impacto das recomendações na saúde mental
O funcionamento do mecanismo de sugestões da plataforma está no centro da polêmica. Os fluxos são programados para exibir continuamente produções que tenham chamado a atenção da pessoa, abrangendo temas que, quando consumidos em excesso, podem prejudicar o bem-estar físico e moral, incluindo tristeza, solidão e questões de autoestima.
Para a Comissão Europeia, o consumo recorrente desse material pode causar danos psicológicos, sobretudo em menores de idade e adultos vulneráveis. O comportamento é conhecido como “rabbit holes”, termo que define o momento em que a pessoa passa a consumir cada vez mais mídias sobre um mesmo assunto.
Violação da Lei de Serviços Digitais
A subsidiária do conglomerado chinês ByteDance corre o risco de ser multada. A Comissão Europeia avalia que a empresa pode ter descumprido diretrizes cruciais da Lei de Serviços Digitais (DSA), legislação implementada recentemente para fiscalizar gigantes tecnológicas.
Apesar de a rede social ter adotado modificações em seus algoritmos, os órgãos reguladores avaliam que as ações tomadas são insuficientes. O bloco exige mudanças estruturais que afetam diretamente o modelo de negócio da empresa, estruturado para reter a atenção do público por períodos prolongados.
Modo de operação do algoritmo e investigações
O problema envolve a lógica de seleção de mídias adotada pelo aplicativo. Segundo o órgão fiscalizador, mesmo quando o usuário demonstra desinteresse por um tema específico, o algoritmo pode desconsiderar essa escolha com o objetivo de prolongar o tempo de navegação na ferramenta.
Em resposta às acusações, um porta-voz declarou: “A Comissão formulou uma série de afirmações fundamentalmente inexatas”. A empresa complementou ainda: “Temos um histórico comprovado na proteção da nossa comunidade”.
Além desse processo, o aplicativo enfrenta investigações adicionais por supostas infrações ao mesmo regulamento. As suspeitas incluem falhas no cumprimento de normas voltadas à proteção de menores, o que elevaria os perigos de assédio virtual e de contato com potenciais predadores. Com base na DSA, a UE intensificou o controle sobre as mídias sociais e estuda vetar o acesso de menores de 13 anos a essas plataformas para preservar o desenvolvimento desse grupo.






