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Servidores do IBGE têm salários zerados e sindicato cobra governo

Servidores do IBGE têm salários zerados após greve; sindicato contesta descontos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aplicou descontos integrais nos salários dos servidores que participaram de uma paralisação nos meses de agosto e setembro de 2026. Os valores foram subtraídos de uma única vez na folha de pagamento de outubro, impactando dezenas de trabalhadores de diversos estados com reduções que variaram conforme a adesão individual ao movimento paredista.

Contestação e cobrança de acordo

A medida gerou revolta e é duramente contestada pela Associação dos Servidores do IBGE (ASSIBGE-SN). De acordo com a entidade representativa, o corte ocorreu mesmo após os profissionais terem realizado a reposição completa das atividades laborais suspensas durante o movimento.

Em nota publicada na quinta-feira (5), o sindicato cobrou a abertura imediata de canais de diálogo com a cúpula do instituto para reverter a situação financeira crítica enfrentada pelos profissionais afetados.

A justificativa oficial da autarquia

Em manifestação divulgada na sexta-feira (6), a administração do IBGE defendeu a legalidade da medida e argumentou que seguiu estritamente as normas vigentes para o funcionalismo público federal, com destaque para a Instrução Normativa SRT/MGI nº 49.

O texto normativo estabelece a obrigatoriedade do corte salarial referente aos dias não trabalhados por motivo de greve, exceto em cenários onde a Justiça reconheça que a paralisação foi motivada por atos ilícitos da própria gestão pública.

O órgão pontuou ainda que a regulamentação atual não obriga o parcelamento dos valores e nem prevê a compensação automática das horas paradas. No total, 143 funcionários — o equivalente a aproximadamente 1% do quadro total — registraram ausências que variaram de 1 a 25 dias.

Esforços sindicais e resposta ministerial

A ASSIBGE-SN relatou que tenta buscar uma solução consensual há mais de 30 dias, tendo inclusive enviado uma proposta de Termo de Acordo à Presidência do órgão, sem avanço nas tratativas. Diante do impasse, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) foi acionado para mediar o conflito.

Em documento datado de 4 de novembro, a pasta ministerial respondeu que aguardava o retorno do instituto sobre uma data viável para a reunião. Até o momento, a associação tem recorrido a recursos administrativos para reverter os descontos, optando por não acionar a Justiça neste primeiro momento.

Revisão de valores e novas conversas

Respondendo às pressões, o IBGE informou que os funcionários poderão protocolar questionamentos formais para reanalisar a apuração individual de dias parados e os montantes deduzidos. Contudo, qualquer correção ou possibilidade de parcelamento dependerá de avaliações legais e diretrizes de órgãos centrais.

Sobre as tratativas com o sindicato, a direção alegou que um novo ciclo de conversas será retomado tãos logo termine o período de defeso eleitoral, negando qualquer tipo de recusa ao diálogo e reafirmando o compromisso com os limites legais da administração pública. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos informou que se manifestará oficialmente sobre o episódio em breve.

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